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13 de nov. de 2019

"Arrival in Hell", jogo point-&-click antigo e gratuito


Imprevistos e dificuldades financeiras fazem parte da vida de todo mundo (exceto daquela fina camada da sociedade que realmente merece ser classificada como privilegiada), então não vale a pena falar muita coisa além de que, durante um desses revezes, foi o momento onde mais joguei jogos on line gratuitos- o que obviamente se liga ao fato de que comprar jogos não era prioridade.
A maioria era feita em flash e, para falar a verdade, raramente algum me distraía por mais de um ou dois minutos- sim, por mais que você tenha lembranças saudosas do site Clickjogos, tem que admitir que a esmagadora maioria dos jogos era uma porcaria.
Um dos poucos que realmente me prendeu a atenção foi um point-&-click curtinho, muito amador e consideravelmente tosco, mas ainda assim... divertido. Divertido feito um filme de terror trash barato e mal-feito que ainda assim você gosta.
Os caras, mesmo com zero de recursos, conseguiram criar um jogo com clima opressivo, e com um protagonista que, se bem pouco simpático, era bem original para a época- um presidiário que nada tem de herói!
O jogo se passa em um presídio onde eventos sobrenaturais mortais surgem subitamente.
O jogo teve uma continuação e um pessoal tentou financiamento para um remake do primeiro (chegou a passar pelo Greenlight da  Steam), mas não conseguiram. Disseram que iam continuar programando o jogo devagar, no tempo livre. Veremos se um dia aparece...

Para quem ficou curioso, tem esse jogo em muitos sites, mas, pessoalmente, recomendo a versão do Kongregate:


Se você gosta de point-&-click, terror e tem uns dez minutos livres, de repente vale a pena conferir.

12 de jun. de 2018

Dragonsphere


Atualmente jogos point-and-click em geral estão saindo pelas mãos de pequenas desenvolvedoras indie, mas nos anos 90 esse foi um dos tipos de jogo para computador mais destacados e populares, com grandes empresas lançando títulos desse estilo no mercado... a lista é imensa... "The Secret of Monkey Island" *; "Alone in the Dark"; "Maniac Mansion"; "Phastasmagoria"; "Sam & Max Hit the Road"; "Grim Fandango"; "The Dig"; "The X- Files Game"; "Full Throttle"; "King's Quest V: Absence makes the Heart goes yonder"... Dá para ficar o dia inteiro nisso...
Em um gênero com tantos títulos, é praticamente inevitável que alguns tenham recebido menos atenção que o merecido. Foi o caso de "Dragonsphere" lançado pela fabulosa MicroProse, estúdio que teve entre seus fundadores o próprio Sid Meier, em 1994. Embora não tenha sido um fiasco, "Dragonsphere" acabou caindo na seara dos jogos cult, conhecidos por um público limitado porém fiel.

História e Roteiro



Gosta de fantasia medieval? Gosta de contos de fada? O roteiro "Dragonsphere" é basicamente um romance de fantasia medieval, com alguns toques de contos de fada aqui e ali, feito sob medida para você. 
A história se passa no reino de Gran Callahach, habitado por várias raças como fadas e metamorfos mas dominado principalmente pelos "fair" (humanos). De tempos em tempos, um feiticeiro malévolo de outro mundo, Sanwe, surge no reino e exige um pesado tributo em colheitas, gado e riquezas (aparentemente até velhos feiticeiros malignos tem que comer), caso contrário Gran Callahach conheceria a extensão de seu poder da pior forma possível, até que, 20 anos antes do início do jogo, o rei de Gran Callahach, com a ajuda do velho mago da corte Ner- Tom,  consegue aprisionar Sanwe dentro de sua fortaleza atrás de barreiras mágicas. 
O feiticeiro Sanwe jura vingança mas não sobre o rei e sim sobre seu filho, o jovem príncipe Callash, que na época contava apenas com 13 anos. O mago Ner- Tom cria um artefato mágico para vigiar Sanwe- uma esfera de cristal com um dragão em seu interior. A esfera representa a barreira mágica e o dragão, o próprio feiticeiro maligno. Quando a esfera começar a rachar e o dragão em seu interior se mover, é que a libertação do bruxo é iminente.
Com a morte de seu pai, Callash agora é coroado rei, e (como tinha que ser) pequenas rachaduras começam a aparecer na esfera de cristal. Agora o recém- empossado rei deve viajar por todo canto do reino e achar uma maneira de deter o feiticeiro Sanwe e sua vingança.
Apesar de alguns poderem apontar uma, à primeira vista, limitada criatividade para o roteiro, a história é bem costurada, além de contar com algumas boas surpresas no correr da trama. 

Gráficos



Para a época em que foi lançado, os gráficos de "Dragonsphere" eram realmente bons, de ponta. O tempo cobrou seu preço? Sim, mesmo que dessa vez não tenha sido um preço tão alto assim. 
Os cenários ainda são bonitos, mesmo que passem longe de serem HD. Quanto aos personagens, sua animação e movimentação ainda são bem fluidas, embora a aparência esteja um tanto baça, não muito bem definida, para os padrões de hoje, em especial no rosto/ face dos personagens. Apesar do leve "serrilhado" visível, todos os personagens são reconhecíveis e bem diferentes entre si, sendo o sprite do rei Callash obviamente o que recebeu mais atenção.

Música e Efeitos Sonoros

A trilha sonora de "Draonsphere" é bem adequada para um jogo de ambientação de fantasia medieval. É um trabalho competente, razoável, mas não marcante. Na verdade, o principal defeito a ser apontado na trilha sonora é a semelhança que a maioria das músicas tem entre si. Eu escolheria como minha favorita a música do menu inicial, que tem um tom capa-e-espada mas mais sombrio.
Os efeitos sonoros não engrandecem nem atrapalham o jogo. São o esperado, sem nada de especial. O ponto fraco é que a atuação de alguns dos atores que emprestam suas vozes aos personagens é bem típica de ator ruim, bem canastrona mesmo. A mãe e a esposa do rei, por exemplo,  não parecem estar cientes da tensão da situação, com vozes pouco expressivas. O próprio rei Callash em geral se expressa em um tom monocórdio, beirando o inexpressivo. As vezes parece que os atores que fizeram o trabalho de dublagem simplesmente leram as falas no papel que lhes foi entregue, sem de fato tentar entrar no clima da história.

Controles e Jogabilidade



Como é um jogo de point-and-click, o jogo possui um ritmo mais lento, não demandando muito do quesito jogabilidade. Os controles respondem bem e basicamente são dados através do mouse,  direcionando a seta para o ponto desejado e clicando para selecionar pessoas ou objetos no cenário com os quais se quer interagir, usando as ações pré- definidas em uma lista no canto inferior esquerdo (Look. Talk to, Take, etc). 
Se você não está acostumado com esse tipo de jogo, aconselho ler o manual de "Dragonsphere" antes de jogar, pois este é bem didático. Caso contrário... vá em frente e jogue. Não há nada de estranho aqui para alguém já familiarizado com esse gênero.

Dificuldade

"Dragonsphere" não é um jogo grande mas, de fato, possui alguns trechos bem chatos, até mesmo frustrantes, que vão tomar um bom tempo do jogador ( como passar pelos guardiões do labirinto na cena das sprites). Jogos point-and-click em geral tinham pelo menos alguns puzzles mais complicados ou custosos de se resolver, e "Dragonsphere" não é exceção. Em termos gerais, a dificuldade de "Dragonsphere" está na média dos títulos de point-and-click dos anos 90- o que não significa que seja fácil!

Comentário Final


"Dragonsphere" não é o que foi produzido de mais excepcional em seu gênero naquela época, mas é um jogo bem feito e divertido, que merecia um pouco mais de reconhecimento nem que fosse apenas entre os fãs desse estilo específico. Se você gosta de jogos point-and-click, "Dragonsphere" tem tudo para te agradar. Se você não é lá muito próximo desse gênero, mas gosta de fantasia medieval, a história do jogo pode te prender, então vale a pena dar uma chance. Lembre-se... em um trecho ou outro, paciência é um pré- requisito.

NOTA: 7,0


* Observação 1: "The Secret of Monkey Island" já recebeu um review aqui no blog. Para conferir é só clicar no link: https://oldschooldigger.blogspot.com/2016/03/the-secret-of-monkey-island.html

* Observação 2: "Dragonsphere" está disponível para compra tanto na loja Steam quanto na GOG. Originalmente foi liberado gratuitamente na GOG, juntamente com outros jogos como "Teenagent" e "Lure of the Temptress", mas atualmente é um título pago.
E eu recebi o jogo gratuitamente na época que me cadastrei na GOG ( hehehe... lero-lero... lero-lero).

11 de mar. de 2016

The Secret of Monkey Island



Os anos 90 foram sem dúvida a era de ouro dos jogos point-and-click e em uma época em que muita coisa boa foi produzida os adventures da LucasArts conseguiram um merecido local de destaque. Começando ainda em 1987 com o clássico "Maniac Mansion", a lista de adventures com os quais a LucasArts presenteou os jogadores é longa... "The Dig", "Full Throttle", "Grim Fandango", "Indiana Jones and the Fate of Atlantis" e, destaque entre destaques, "The Secret of Monkey Island".

História e Roteiro



"The Secret of Monkey Island" é uma divertida história de piratas em um mundo cartunesco e bem humorado, onde alguns clichês dos filmes, livros e quadrinhos de piratas são reformulados de forma leve,  para ser explorado por um protagonista com um quê de Jim Hakwins. Se você não sabe quem é Jim Hakwins... procure pelo livro "A Ilha do Tesouro" em alguma biblioteca. Acredite... esse livro vale tanto a pena ser lido quanto "The Secret of Monkey Island" de ser jogado.
A premissa é simples, como os filmes de aventura dos anos 90 costumavam ser. O jovem Guybrush Threepwood chega a ilha caribenha de Melee Island disposto a alcançar seu sonho de ser um pirata. Guybrush então se vê envolvido em uma aventura cheia de testes, enigmas, feitiçaria vodu, duelos a base de espada e ofensas, romance e muitos comentários debochados a respeito de seu peculiar nome. No fim das contas cabe ao jovem aspirante a pirata resgatar a governadora de Melee Island (e seu interesse amoroso) Elaine Marley das mãos do pirata fantasma LeChuck e sua tripulação espectral, precisando encontrar o caminho para o esconderijo do capitão fantasma na misteriosa e lendária Monkey Island (Ilha dos Macacos, em tradução livre).
O roteiro é caprichado e os diálogos são em geral divertidos, com um humor que varia dos pastelão ao sarcástico, repleto de tudo aquilo que não pode faltar em uma história de piratas: caça ao tesouro, duelos e altas doses de uma bebida alcóolica que só o fígado de um velho lobo-do-mar consegue aguentar, tudo de uma forma bem fantasiosa e por vezes propositalmente anacrônica, visando gerar humor- de camisetas estampadas até letreiros luminosos, além de uma das mais bizarras geringonças que o mundo dos point-and-click já viu.

Gráficos



O jogo atualmente conta com duas versões de gráficos, a original de 1990 e os da edição especial lançada em 2009 para PC e outras plataformas. Em ambos os casos os gráficos são muito bons, desde que se leve em consideração as limitações e vantagens técnicas da época de cada um. 
Tanto as cenas do jogo em sí quanto das comuns cutscenes são muito boas. Os cenários durante o jogo são bem variados... uma cidade portuária cheia de piratas... um labirinto na floresta... cabanas no meio do nada... uma excêntrica loja de barcos usados... uma ilha tropical com nativos e pedras no formato de caveiras... todos, sem exceção, são bonitos, habilmente coloridos e cheios de detales, mesmo em sua versão original, tendo recebido uma remodelagem e tanto na versão remake, ficando mais ricos em elementos decorativos. O design dos personagens é excelente, embora eu prefira o visual que eles tinham nas cutscenes originais, os quais lembram bastante a arte de desenhos animados e quadrinhos de aventura dos anos 90, ao da versão do remake, mais caricata e estilizada.
Algo que gostei bastante é que na versão remake que comprei na Steam pode-se alternar  entre os gráficos originais ou novos em qualquer momento do jogo, bastando apertar a tecla F10.



Música e Efeitos Sonoros

A música é um ponto forte do jogo. A trilha sonora foi composta por Michael Land, sendo seu primeiro trabalho na LucasArts. O destaque vai para a música tema, que toca na tela de abertura, o qual eu considero é linda e impregnada do clima que permeia todo o jogo.
Os efeitos sonoros são bem melhores que a média dos jogos da época, refletindo o esmero que o pessoal do desenvolvimento teve. Na versão remake as falas dos personagens são narradas, cada uma tendo suas características próprias, o que foi o ponto mais psoitivo do remake em minha opinião.


Controles e Jogabilidade



Como é um jogo de point-and-click, não há muito a se dizer... funcional é o termo. Cumpre seu papel de forma adequada. Na versão original o menu de opções de ações a serem escolhidas fica no canto inferior esquerdo da tela. Deve-se clicar em um comando, "Open" por exemplo, e depois em algo do cenário ou do inventário de itens para Guybrush interagir com o cenário, objetos e personagens e assim realizar as ações, como por exemplo "Open Door",. Na versão remake o menu fica oculto, sendo acionado através de uma tecla ou botão, o qual varia conforme a plataforma.
Dentre os comandos possíveis, "Talk to", "Walk to", "Pick up", "Use" e "Look at" são as mais usadas no correr do jogo.



Dificuldade



A dificuldade do jogo varia em altos e baixos. Existem momentos em que você nota de cara o que deve fazer, outros você percebe após raciocinar um pouco e existem aqueles que você não tem a menor ideia de como ir para a frente. Para facilitar a vida do jogador é possível pedir pistas durante o jogo, apertando a tecla ou botão "Hint" ( no PC é a tecla "H" ). As dicas são graduais. A primeira é bem vaga, mais vão dando mais detalhes conforme o jogador aciona a tecla de novo. O lado ruim disso é que depois de você usar as dicas para seguir adiante no jogo, fica aquela sensação chata de "Como eu não pensei nisso?" no ar...
No geral eu diria que a dificuldade éconsiderável, mas sem ser realmente pesada. O maior risco é ficar alguns minutos dando voltas em círculo por todos os cenários, quebrando a cabeça tentando achar algo que ajude a resolver a questão, mas isso é de praxe em todos os adventures estilo point-and-click, não sendo um defeito específico do título . O único senão que aponto em "The Secret of Monkey Island" é que em alguns momentos o jogo é bem vago quanto ao que deve ser feito, como no caso da ponte guardada pelo troll.

Comentário Final



Um grande clássico dos anos 90, "Monkey Island" tem fôlego para agradar ainda muita gente ainda, mesmo quem nasceu depois de 2000, em grande parte graças a versão atualizada dos gráficos. O jogo é divertido e você realmente vai dar umas risadas altas em alguns momentos, sendo daqueles que viciam e prendem em frente a tela do PC, fazendo você quase varar a madrugada jogando. 
Para os apreciadores de jogos point-and-click em especial é um jogo imperdível. Um prato cheio com tudo que um point-and-click tem de melhor. A série Monkey Island recebeu quatro sequências, mas em minha opinião o primeiro título continua sendo o melhor de todos.

NOTA: 9,5


* Curiosidade 1: O nome bastante esquisito do protagonista foi criado pro acaso... originalmente seu sprite era apensas designado "guy" (cara, em tradução livre), mas um dos programadores acabou colocando "brush" logo em seguida, para indicar que era o "brush file" para o sprite. O arquivo ficou "guybrush.bbm" e o nome acabou pegando.
O sobrenome foi baseado em personagens dos livros da série "The Blandings books" do escritor P.G. Wodehouse.

* Curiosidade 2: Os desenvolvedores colocaram um personagem no jogo, o pirata Cobb, apenas para fazer propaganda (de forma propositalmente ostentosa) de "Loom", outro título da LucasArts.