The Secret of Monkey Island



Os anos 90 foram sem dúvida a era de ouro dos jogos point-and-click e em uma época em que muita coisa boa foi produzida os adventures da LucasArts conseguiram um merecido local de destaque. Começando ainda em 1987 com o clássico "Maniac Mansion", a lista de adventures com os quais a LucasArts presenteou os jogadores é longa... "The Dig", "Full Throttle", "Grim Fandango", "Indiana Jones and the Fate of Atlantis" e, destaque entre destaques, "The Secret of Monkey Island".

História e Roteiro



"The Secret of Monkey Island" é uma divertida história de piratas em um mundo cartunesco e bem humorado, onde alguns clichês dos filmes, livros e quadrinhos de piratas são reformulados de forma leve,  para ser explorado por um protagonista com um quê de Jim Hakwins. Se você não sabe quem é Jim Hakwins... procure pelo livro "A Ilha do Tesouro" em alguma biblioteca. Acredite... esse livro vale tanto a pena ser lido quanto "The Secret of Monkey Island" de ser jogado.
A premissa é simples, como os filmes de aventura dos anos 90 costumavam ser. O jovem Guybrush Threepwood chega a ilha caribenha de Melee Island disposto a alcançar seu sonho de ser um pirata. Guybrush então se vê envolvido em uma aventura cheia de testes, enigmas, feitiçaria vodu, duelos a base de espada e ofensas, romance e muitos comentários debochados a respeito de seu peculiar nome. No fim das contas cabe ao jovem aspirante a pirata resgatar a governadora de Melee Island (e seu interesse amoroso) Elaine Marley das mãos do pirata fantasma LeChuck e sua tripulação espectral, precisando encontrar o caminho para o esconderijo do capitão fantasma na misteriosa e lendária Monkey Island (Ilha dos Macacos, em tradução livre).
O roteiro é caprichado e os diálogos são em geral divertidos, com um humor que varia dos pastelão ao sarcástico, repleto de tudo aquilo que não pode faltar em uma história de piratas: caça ao tesouro, duelos e altas doses de uma bebida alcóolica que só o fígado de um velho lobo-do-mar consegue aguentar, tudo de uma forma bem fantasiosa e por vezes propositalmente anacrônica, visando gerar humor- de camisetas estampadas até letreiros luminosos, além de uma das mais bizarras geringonças que o mundo dos point-and-click já viu.

Gráficos



O jogo atualmente conta com duas versões de gráficos, a original de 1990 e os da edição especial lançada em 2009 para PC e outras plataformas. Em ambos os casos os gráficos são muito bons, desde que se leve em consideração as limitações e vantagens técnicas da época de cada um. 
Tanto as cenas do jogo em sí quanto das comuns cutscenes são muito boas. Os cenários durante o jogo são bem variados... uma cidade portuária cheia de piratas... um labirinto na floresta... cabanas no meio do nada... uma excêntrica loja de barcos usados... uma ilha tropical com nativos e pedras no formato de caveiras... todos, sem exceção, são bonitos, habilmente coloridos e cheios de detales, mesmo em sua versão original, tendo recebido uma remodelagem e tanto na versão remake, ficando mais ricos em elementos decorativos. O design dos personagens é excelente, embora eu prefira o visual que eles tinham nas cutscenes originais, os quais lembram bastante a arte de desenhos animados e quadrinhos de aventura dos anos 90, ao da versão do remake, mais caricata e estilizada.
Algo que gostei bastante é que na versão remake que comprei na Steam pode-se alternar  entre os gráficos originais ou novos em qualquer momento do jogo, bastando apertar a tecla F10.



Música e Efeitos Sonoros

A música é um ponto forte do jogo. A trilha sonora foi composta por Michael Land, sendo seu primeiro trabalho na LucasArts. O destaque vai para a música tema, que toca na tela de abertura, o qual eu considero é linda e impregnada do clima que permeia todo o jogo.
Os efeitos sonoros são bem melhores que a média dos jogos da época, refletindo o esmero que o pessoal do desenvolvimento teve. Na versão remake as falas dos personagens são narradas, cada uma tendo suas características próprias, o que foi o ponto mais psoitivo do remake em minha opinião.


Controles e Jogabilidade



Como é um jogo de point-and-click, não há muito a se dizer... funcional é o termo. Cumpre seu papel de forma adequada. Na versão original o menu de opções de ações a serem escolhidas fica no canto inferior esquerdo da tela. Deve-se clicar em um comando, "Open" por exemplo, e depois em algo do cenário ou do inventário de itens para Guybrush interagir com o cenário, objetos e personagens e assim realizar as ações, como por exemplo "Open Door",. Na versão remake o menu fica oculto, sendo acionado através de uma tecla ou botão, o qual varia conforme a plataforma.
Dentre os comandos possíveis, "Talk to", "Walk to", "Pick up", "Use" e "Look at" são as mais usadas no correr do jogo.



Dificuldade



A dificuldade do jogo varia em altos e baixos. Existem momentos em que você nota de cara o que deve fazer, outros você percebe após raciocinar um pouco e existem aqueles que você não tem a menor ideia de como ir para a frente. Para facilitar a vida do jogador é possível pedir pistas durante o jogo, apertando a tecla ou botão "Hint" ( no PC é a tecla "H" ). As dicas são graduais. A primeira é bem vaga, mais vão dando mais detalhes conforme o jogador aciona a tecla de novo. O lado ruim disso é que depois de você usar as dicas para seguir adiante no jogo, fica aquela sensação chata de "Como eu não pensei nisso?" no ar...
No geral eu diria que a dificuldade éconsiderável, mas sem ser realmente pesada. O maior risco é ficar alguns minutos dando voltas em círculo por todos os cenários, quebrando a cabeça tentando achar algo que ajude a resolver a questão, mas isso é de praxe em todos os adventures estilo point-and-click, não sendo um defeito específico do título . O único senão que aponto em "The Secret of Monkey Island" é que em alguns momentos o jogo é bem vago quanto ao que deve ser feito, como no caso da ponte guardada pelo troll.

Comentário Final



Um grande clássico dos anos 90, "Monkey Island" tem fôlego para agradar ainda muita gente ainda, mesmo quem nasceu depois de 2000, em grande parte graças a versão atualizada dos gráficos. O jogo é divertido e você realmente vai dar umas risadas altas em alguns momentos, sendo daqueles que viciam e prendem em frente a tela do PC, fazendo você quase varar a madrugada jogando. 
Para os apreciadores de jogos point-and-click em especial é um jogo imperdível. Um prato cheio com tudo que um point-and-click tem de melhor. A série Monkey Island recebeu quatro sequências, mas em minha opinião o primeiro título continua sendo o melhor de todos.

NOTA: 9,5


* Curiosidade 1: O nome bastante esquisito do protagonista foi criado pro acaso... originalmente seu sprite era apensas designado "guy" (cara, em tradução livre), mas um dos programadores acabou colocando "brush" logo em seguida, para indicar que era o "brush file" para o sprite. O arquivo ficou "guybrush.bbm" e o nome acabou pegando.
O sobrenome foi baseado em personagens dos livros da série "The Blandings books" do escritor P.G. Wodehouse.

* Curiosidade 2: Os desenvolvedores colocaram um personagem no jogo, o pirata Cobb, apenas para fazer propaganda (de forma propositalmente ostentosa) de "Loom", outro título da LucasArts.


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