Divagações Oldschool - A pior capa de jogo oldschool que me vem a cabeça



Nesses anos todos jogando já vi algumas capas de jogos que pareciam verdadeiras obras de arte, como a capa de "Gauntlet" feita pela Tengen  para o lançamento no NES ou a original japonesa de "Phantasy Star IV: The End of the Millennium"; já vi muitas outras bastante genéricas e esquecíveis, em especial aquelas lançadas para jogos do NES nos EUA lá pelo final dos anos 80 e que usavam fragmentos dos  próprios jogos nas ilustrações, como em "Super Mario Bros" ou "Kid Icarus"; e também vi algumas que francamente eram de doer os olhos... a capa norte- americana do primeiro "Mega Man" é de queimar a retina de tão atroz, mas se eu tiver que escolher alguma como a pior de todas seria... "Phalanx" do SNES.
"Phalanx" foi apenas mais um SHMUP entre as toneladas lançadas na época, e sendo um jogo bem "mais-ou-menos", seu destino provável teria sido o semi-esquecimento, ocasionalmente quebrado por um ou outro jogador nostálgico ou fanático pelo gênero. TERIA sido... não foi... e por razões nada louváveis... a box art do lançamento norte- americano de "Phalanx" é uma das mais toscas, das mais non sense, das mais ridículas já feitas... uma das mais... bom... das mais ISSO:



Falando sério... o que é ISSO? "Phalanx" era um SHMUP de ficção científica cujo enredo parecia saído um OVA japonês distribuído pela U.S Mangá... e a capa do jogo tem um velho caipira tocador de banjo com cara de que bebe whisky caseiro, com uma navezinha mal feita voando ao fundo? Qual o sentido disso? Aliás... tem algum? Ao ver aquilo minha reação foi estilo "Mas que p*rr* é essa?" e a impressão que tive foi que basicamente a equipe de design estava sem inspiração e rolou algo assim naquele dia:

- CHEFE: "O prazo era até hoje... Ah... bota qualquer coisa aí...dane-se..."
- ALGUÉM:"Que tal uma foto do meu tio Cletus tocando banjo na festa do primo Otis?"
- CHEFE: "Perfeito!"
- OUTRO ALGUÉM: "Mas é um jogo de nave espacial... posso colocar uma nave no fundo?"
-CHEFE: "Você sabe desenhar uma nave?"
-OUTRO ALGUÉM: "não..."
- CHEFE: "Perfeito!"

Teria sido isso? Não... não pode ser... Tentando encontrar uma explicação minimamente coerente cheguei a cogitar que "Phalanx" era um daqueles jogos que a história era contada por alguém depois dela ter acontecido... de repente o coroa do banjo era um colono de algum planeta que foi salvo pelo piloto da nave quando jovem e agora, décadas depois, cantava a heroica epopeia espacial para um monte de pirralhos aglomerados ao seu redor. Porque um colono de um planeta longínquo em futuro distante estaria vestido como um caipira pé-de-serra estadunidense do século XX eu não consegui imaginar uma explicação cabível, entretanto. Não... o jogo não tinha nada desse tipo... não é uma "aventura narrada" nem nada parecido. Só sobrou  a hipótese da foto do tio Cletus mesmo...
Sim, sim... é claro que não foi bem assim... eu sei que não foi, mas foi quase. Sim... quase.
Anos depois, provavelmente cansados de tanto ouvir chacotas e de ver seu trabalho em todas as listas de "Piores Capas de Jogos de Videogame de todos os Tempos", os responsáveis pelo box art norte- americano de "Phalanx" explicaram publicamente as razões que motivaram tal escolha bizarra: o jogo era apenas mais um jogo de nave que chegava aos EUA e em si não possuía nenhum diferencial... uma capa com uma nave em alta velocidade atirando nos oponentes seria a escolha mais óbvia, mas aí, pensou a equipe da agência, "Phalanx" cairia no mesmo bolo de dezenas de SHMUPs derramados aos quilos nas lojas e locadoras e passaria despercebido. Resolveram inovar, com uma arte propositalmente disparatada para chamar a atenção dos jogadores, fazendo que eles adquirissem ou alugassem o jogo para tentar entender qual a relação daquilo tudo... 
Ideia original, de fato... arriscada... e com um resultado sofrível... "Phalanx" acabou como um daqueles jogos que ficavam na última prateleira na locadora e que você só alugava naqueles sábados em que chegava na loja 5 minutos antes dela fechar porque teus pais haviam te levado para passar o dia na casa da tia Gerusa do outro lado da cidade e tudo de legal já tinha sido alugado.
"Era melhor terem lançado com a capa original" provavelmente muita gente pensou. Faz todo o sentido. Em geral as capas japonesas são bem bonitas, mas aí entra o pior da história (se for possível ter um pior em uma história como essa)... "Phalanx" é um jogo tão azarado que a capa original também consegue ser bizarra... em uma olhada rápida, nada demais... é só uma nave... mas aí se olha com mais atenção e... a nave tem um formato um tanto... peculiar...



OK... vamos falar claramente... a nave parece um pênis. E quando você olha o corpo da nave e vê que tem duas protuberâncias arredondadas em cada lado daquela arma tão... fálica... é inevitável... parece um par de testículos... a maldita nave parece um pênis metálico solto no espaço. 
No lançamento de "Phalanx" na Europa optou-se por usar a capa original como base, só alterando uns detalhes no formato, e não a do senhor barbudo do banjo e...francamente? Não sei se foi uma boa escolha... de verdade... não sei dizer o que é pior... os lançamentos europeus tiveram tantas capas próprias... por que não dessa vez? Custava ter feito uma capa própria, caramba? Justo nesse jogo nascido sob uma estrela tão zoada resolvem usar a original? Deve ter sido de sacanagem... só pode!
Bem ou mal... o jogo é lembrado até hoje, ao contrário de outros SHMUPs de SNES bem razoáveis da época, como "Cybernator" ... o problema é encontrar alguém que o tenha jogado e não apenas dado risada da capa... O jogo nem é ruim... dá para jogar, mas aquelas capas desanimam... eu sei... não se deve julgar um livro pela capa mas... olhe a box art de "Phalanx" e diga isso em voz alta. Te desafio.

P.S: E afinal quem é o velhote do banjo? Era mesmo o tio Cletus lá do interior do Nebraska? Não... era Bertil Valley, dono de uma empresa de construção e Papai Noel voluntário nas horas vagas. Bertil faleceu em 2004, 13 anos após "Phalanx" ser lançado para o SNES e (de certa forma...) imortalizá-lo. Descanse em paz, tocador de banjo das estrelas.




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