13 de out. de 2020

Divagações Oldschool: Sonhos

 


Vários amigos e conhecidos meus tiveram sonhos relacionados a videogame, embora eu duvide da veracidade dos mais elaborados (como aquele, a ver com "Mortal Kombat", que um velho amigo me contou no ônibus durante uma excursão escolar) dentre eles. Eu sou o contrário... muito raramente sonhei com algo relacionado a jogos de videogame. 

Sendo mais específico, o único sonho ligado a isso que lembro de ter tido foi quando quando sonhei que jogava xadrez com o velho mago com cara de Merlin das capas antigas da franquia "Chessmaster". Foi no final da adolescência, que coincidiu com o final dos anos 90 e eu estava jogando bastante "Chessmaster" naquela época. Qual deles? Não lembro, mas acho que era o "Chessmaster 6000".

Enfim, esse detalhe não é tão relevante... o mago é o mesmo em todas as capas. Sonhei que jogava contra ele e que eu estava com as brancas. Não lembro bem do lugar, mas jogávamos sentados à uma mesa. O tabuleiro era grande e, assim como as peças, era de madeira.

Lembro que conversávamos durante a partida, mas não lembro direito sobre o quê. Acho que ele me dava dicas durante o jogo. Isso faz sentido, pois no jogo existe uma função onde o computador te recomenda o melhor lance, etc. Ainda assim não tenho realmente certeza.

O mais decepcionante é não saber como terminaria  a partida. Fui acordado para ir ao colégio. Ainda tentei durante o dia lembrar a posição das peças no tabuleiro, mas em vão. 

Nunca mais sonhei com o mago do xadrez de novo. A partida ficou assim, inacabada.

Acho que posso considerá-la um empate, então. 1/2-1/2.

12 de out. de 2020

Jogos steam para Retrogamers #29

 Que tal umas dicas de presente para sua criança interior nesse 12 de outubro?

Ah, sim... antes das dicas... Por que essa seção já deu mais de meia dúzia de recomendações de uma vez só e atualmente se restringe a dois ou três jogos?  Por duas razões específicas, a primeira é que estou jogando menos videogame e me dedicando mais ao xadrez, estudando e resolvendo exercícios de treino e problemas, além de estar me dedicando a aprender novas formas de xadrez, como o shogi e o xiangqi, além de um jogo de tabuleiro oriental chamado go.

A segunda é que adquiri muitas coletâneas de jogos antigos, como aquela com mais de 50 jogos de Mega Drive e as da Namco, SNK, Konami, de jogos da Disney e do Mega Man, então acabo jogando mais esses jogos antigos do que jogos novos feitos de forma retrô (com exceção dos jogos da JoyMasher e de "Stardew Valley"). Quanto a não estar fazendo reviews... a verdade é que no momento não ando com vontade de escrever reviews e estou preferindo escrever outras coisas.

Esses fatores são permanentes? Não faço ideia...

Enfim... vamos às dicas!

SUGESTÃO #1

Se você está com saudades de jogar:  "Blaster Master" (NES)

Tente: Blaster Master Zero


Um remake do clássico de Nintendinho, "Blaster Master Zero" manteve a estética e a essêcia do original, mas adicionando novas áreas e chefes de fase, atualizando os controles com o uso de controles com mais botões, novos elementos de jogo como mais armas secundárias  (subweapons).
O cenário também foi modificado, corrigindo as limitações impostas pela tecnooogia da época. Quanto à história do jogo ela tem como base à da versão norte- americana. Calma! Não precisa espumar de raiva por não terem usado a original japonesa! Ainda tem o lance do garoto ir atrás do sapo, mas nessa versão a história ganhou mais detalhe e profundidade, com um toque mais mangá de ficção científica do que o roteiro de desenho animado de sábado de manhã que os norte-americanos inventaram para o "Blaster Master" original nos anos 80. Ficou legal, acredite!
Sendo bem sincero, foi um dos melhores remakes que já joguei. Recomendo bastante tanto para fãs do jogo original quanto para jogadores mais novos que nunca assopraram um cartucho na vida.

SUGESTÃO #2

Se você (ainda) está com saudade de jogar "Blaster Master" (NES)

Tente: Blaster Master Zero 2


A sequência do remake, que dá continuidade às aventuras de Jason e do tanque SOPHIA. A estética retrô foi mantida, assim como mais novidades acrescentadas.

SUGESTÃO #3

Se você está com saudades de jogar: "Pinball Quest" (NES), "3D Pinball: The Lost Continent" (PC), "Jaki Crush" (SNES), "Sonic Spinball" (Mega Drive), "Devil Crash" (Mega Drive), "Crue Ball" (Mega Drive), "Dragon's Revenge" (Mega Drive)

Tente: Demon's Tilt


Eu me amarro nesses pinballs misturados com elementos de outros gêneros de jogo, então "Demon's Tilt" é uma pedida e tanto! A trilha sonora é puro metal em 16 bits. O jogo mistura as jogadas tradicionais de pinball com lutas contra chefes vindosdo mundo das trevas e até elementos de chuva de balas! O jogo tem ritmo rápido e uma ambientação de horror, um tanto gótica, outro tanto neon a la anos 80, com vários segredos para serem descobertos em três mesas diferentes. Se você é aficcionado por pinball, é quase um jogo obrigatório!

O dia das crianças vai chegando ao fim e nossas dicas ficam por aqui também. Até a próxima e bom jogo a todos.

Divagações Oldschool: Dia das Criaças

 


Faz tanto tempo, mas parece que foi ontem. Dia das crianças era sinônimo de jogo novo- aliás, não só o Dia das Crianças! Qualquer data comemorativa significava a possibilidade e esperança de um cartucho novo na estante. O nosso Phantom System chegou no Natal de 89, por exemplo. O Mega Drive no Natal de 93, a primeira noite que meu rmão mais novo e eu viramos em claro na vida, empolgados jogando "Sonic the Hedgehog 2".

Dia das Crianças podia significar um cartucho só para os dois, ou, se os tempos eram de vacas gordas, um cartucho para cada. De qualquer forma dava briga... no primeiro caso tentando chegar a um meio termo, encontrando um jogo que agradasse igualmente aos dois. No segundo era uma irmão tentando influenciar a escolha do outro, tentando fazer que o presente alheio na verdade fosse algo que se queria também. Nunca deu resultado. Nem meu irmão nem eu conseguíamos dissuadir o outro a trocar a escolha feita. Foi assim com "The Jungle Book" do Mega Drive. Meu irmão fez de tudo para que eu não pegasse esse jogo como meu presente de Dia das Crianças. Fracassou. Depois acabou gostando e jogou bastante nas tardes pós-escola.

Cartuchos eram caros. Não era algo que se ganhava sempre, então nós dois e a maioria dos nossos amigos usávamos todas as cartas nas nossas mangas para conseguir jogo novo nas datas comemorativas. Volta e meia os pais tentavam oferecer outra coisa, apresentando algum outro brinquedo ou jogo de tabuleiro. Poucas vezes funcionava. Lembro de um menino de uma rua próxima que recusou, para a ira do pai, uma bicicleta em troca do cartucho que queria. Não lembro qual foi o jogo, mas lembro perfeitamente dos resmungos do pai do garoto quando a galera se reunia para jogar lá, na casa deles. Dizia que a gente não tinha infância, que ele nunca tinha ficado gastanto tempo na frente da TV no lugar de jogar bola, coisas assim.  Comprava, entretanto, os jogos que o filho pedia, então acho que as reclamações eram mais da boca para fora mesmo.

Ou talvez simplesmente tenha se dado por vencido. Eu estava ocupado demais jogando ou prestando atenção na tela, esperando a minha vez, para pensar muito a respeito.

Não moro mais lá, onde cresci. Nunca mais tive contato ou notícias do pai desse antigo colega. Será que ainda está vivo? Ainda mora por lá? Será que já tem um neto ou neta e fica reclamando da criança jogar videogame como antigamente? Não faço ideia... foi tudo a muito tempo atrás.

Mas parece que foi ontem.

30 de set. de 2020

Divagações Oldschool: Playland

 


Já ouvir dizer que quando você gostava muito de um lugar na infância jamais esquece o nome. Devo ser uma exceção a essa regra, pois esqueci o nome da Playland e só lembrei graças ao oráculo da internet. E  olha que meu irmão e eu gostávamos muito daquele lugar.

Aliás, se você era um garoto ou garota que curtia videogame no início dos anos 90 na cidade do Rio de Janeiro, você adorava a Playland.  A loja era gigantesca (para os padrões da época, claro), com dois andares. O de baixo era mais próximo de um parque de diversões tradicional, com carrossel e afins. O segundo andar era a Shangri-La dos fãs de jogos eletrônicos.

O maior arcade da cidade, com bem mais de uma dezena de máquinas de pinball enfileiradas; simuladores de corrida de todo tipo;  dezenas de "flippers" (máquinas de arcade em gíria da época) com os mais diversos e badalados títulos... "Teenage Mutant Ninja Turtles", "Moonwalker", "Street Fighter II", "Alien Storm", "Mortal Kombat"- tinha até aquele com hologramas, "Time Traveller". Fora as máquinas que misturavam arcade com simulador, onde você girava e rodopiava preso à cadeira igual à ação dentro da tela do jogo! Tinha também um com armas de plástico semelhantes a revólveres Colt onde se atirava em bandidos que pareciam saídos de um filme de faroeste italiano. A gente se amarrava!

Como falei, todo mundo amava a "Playland". Era unanimidade entre meus colegas de classe e a galera lá da rua, mas isso não significa que se ia muito lá... A classe média espremida daqueles difíceis tempos pós- Plano Collor não podia bancar idas semanais (sequer mensais) à "Playland". Lá era legal, mas não era barato.

Meu irmão e eu teríamos ido bem menos lá se a sorte não tivesse dado de bandeja um presente sem igual para a gente: Meu pai tinha um amigo que trabalhava lá, na parte administrativa. Seu nome era Francisco, mas para nós, meu irmão e eu, era o tio Chiquinho. 

Tio Chiquinho era um coroa sorridente. Amigo do meu pai a perder de anos. Volta e meia quando  íamos ao Barrashopping, meu pai falava a frase que mais ansiávamos: "Vamos ver se o Chiquinho está lá". Enquanto meu pai e minha mãe colocavam a conversa em dia com o tio Chiquinho, ele dava um jeito para meu irmão e eu jogarmos de graça- em geral abrindo um painel com uma ferramenta que chamávamos de "chave"  e mexendo em algo lá dentro. 

Não que fossemos abusados. Meus pais não deixavam a gente pedir para jogar muito. Eram duas ou três vezes, normalmente. Nós ficávamos, obviamente, cheios de vontade de pedir para jogar só umazinha a mais, mas achávamos melhor não falar nada nem insistir com medo de perder aquilo que reconhecíamos como um privilégio. Quando o mês não estava tão apertado, meus pais compravam umas fichas para o jogo não parar, mas não era sempre.

A grande exceção foi um aniversário meu. Tio Chiquinho carimbou meu braço, o do meu irmão e do nosso primo e pudemos andar quantas vezes nós quisemos nos brinquedos do primeiro andar... barco viking, carrinhos de bate-bate, mini-montanha russa...quando cansamos e fomos para o segundo andar... esse dia eu realmente perdi a conta de em quantas máquinas joguei. Nunca tinha jogado tanto arcade antes. Nunca mais joguei tanto arcade depois.

Com o tempo, as idas à Playland foram rareando, por umasérie de razões. Quando eu estava no segundo grau, já mais para o final dos anos 90, eu jogava bem menos do que jogava até 1995, 1996... Outros interesses, estudo, curso, momentos de pouco dinheiro no bolso, alguns empregos temporários... videogame foi ficando em segundo plano. 

E assim fotam correndo os dias. A Playland fechou. Em 2003 foi substituída por outa loja, a Hot Zone. Nunca fui lá. Estava na faculdade nessa época e ir a um arcade e sequer considerava a ideia de ir a um arcade aquele tempo. Perdi contato com o tio Chiquinho a muitos anos. Acredito que esteja aposentado, mas não tenho como saber, ainda mais agora que meu pai não está mais aqui. Espero que tio Chiquinho esteja bem. Gostaria muito de reencontrá-lo, de verdade, apenas para dar-lhe um grande abraço e dizer obrigado. Só isso.

Mas... admito... se ele ainda tiver a velha "chave" e e perguntar se eu quero jogar um pouco de fliperama como nos velhos tempos... eu aceito.





28 de set. de 2020

Divagações Oldschool: Art of Lying (ou "Foi culpa do Neo-Geo")

 

No início dos anos 90 ninguém conhecia o termo "arcade"- pelo menos ninguém que eu conhecia! Para nós era fliperama mesmo, ou simplesmente "flipper". "Vamos no flipper?" ou "Bora no flipper?" eram frases comumente ditas e escutadas nos tempos finais das aulas ou no momento da

 saída das escolas. E tinha máquina para tudo que é lado... tinha "flipper" na padaria; tinha "flipper" no botequim  onde meus amigos compravam cigarros para o pai ou para a mãe mesmo sendo menores de idade; tinha "flipper" no bar do clube; tinha "flipper" nas galerias comerciais, como aquelas que eram comumente chamadas de "passarelas" por fazerem uma ligação entre duas ruas diferentes... enfim, deu para entender.

E onde tinha "flipper", tinha uma rodinha de moleques em volta, assistindo quem estava jogando, em especial perto da hora do almoço ou lá pelas seis e pouco da noite. Eu estudava pela manhã, então em geral era no primeiro horário que eu jogava ou fazia figuração nas rodas de guris.

E não era só nos "flippers" que jogávamos. Era comum locadoras também disponibilizarem consoles variados para serem jogados a preços módicos. Nas locadoras eu jogava mais aos sábados e segundas-feiras, quando alugava ou devolvia cartuchos, e durante a semana eu volta meia dava um pulo em algum lugar que tivesse "flipper" e ficasse no caminho de casa. Em geral, eu não demorava muito e chegava em casa antes que alguém percebesse a demora e ficasse preocupado.

Em geral... 

Nem sempre...

Um das poucas vezes que fui jogar em uma locadora durante a semana  foi uma dessas vezes do "nem sempre". Aliás, foi A vez!

Dois colegas de classe comentaram que uma locadora não tão próxima agora estava com um Neo-Geo. Um Neo-Geo! E não era só isso! A locadora tinha o jogo "Art of Fighting" para jogar no tal Neo-Geo! Eu estava doido para jogar esse jogo desde que  tinha lido sobre ele em revistas, mas nao tinha aparecido oportunidade até então.

Aí meus colegas, o W. e o B.T, chamaram-me para ir lá. A locadora ficava uns 15 ou 20 minutos da escola- no caminho oposto ao meu!

Ou seja, só a ida e volta acrescentaria de meia hora a quarenta minutos no meu tempo de chegada em casa (fora o tempo que eu gastaria jogando ou vendo os outros jogarem). Não tinha como dar certo, mas... quem disse que eu pensei nisso na época?

Sequer cogitei! A vontade de jogar, ou pelo menos ver ao vivo, "Art of Fighting" falou mais alto e eu simplesmente pensei algo como "ah, vou rapidinho, jogo uma vez só, assisto mais só uns cinco minutinhos e volto correndo. Tá tranquilo".

Quase três da tarde e eu ainda estava na locadora. Vi um dos meus colegas jogar, joguei uma vez, vi o outro joar e depois as jogadas de alguns desconhecidos. Só me toquei da hora por que alguém perguntou a hora para outro e, por acaso, ouvi o cara responder. O sangue deu aquela gelada , e  na hora falei com os meus colegas. 

Para minha surpresa os dois pareceram não ligar muito... Coisa de quem ficava a tarde toda sozinho em casa enquanto os pais trabalhavam, mas meu caso era outro... minha avó morava com a gente na época e com certeza estava desesperada, cogitando mil desastres e destinos terríveis para mim, sem dar sossego para minha mãe no trabalho, com uma ligação atrás da outra. 

Larguei os dois lá e voltei o mais rápido que pude, chegando a correr em alguns momentos com a mochila pesada batendo nas costas. Eram quase quatro horas quando cheguei. Minha avó quando me viu passar pelo portão veio correndo (em uma velocidade notável para sua idade), já me bombardeando com perguntas freneticas, deixando por último o aviso fatídico.

'"Olha, seus pais estão muito nervosos. Sua mãe está toda preocupada lá no trabalho."

Depois de umas trinta ligações de uma típica avó apavorada não poderia ser muito diferente, afinal.

Como o dano estava feito, pensei em pelo menos minimizar o estrago. Inventei uma história que tinha ido na casa de um colega de classe, o D., que morava no  mesmo condomínio onde morávamos, mas na outra ponta, para fazer um trabalho em grupo, mas que não tinha dado para ligar porque o D. estava com o telefone quebrado, e que depois do trabalho jogamos um pouco de videogame e perdi a hora, só me tocando disso quando a mãe (ou irmã, sei lá de quem falei na hora) havia entrado na sala e comentado que horas eram, daí voltei correndo, mas estava dentro do condomínio e tal, etc. 

Detalhe que o D. sequer tinha ido jogar e não estava sabendo de nada.

Minha mãe ligou pouco depois e minha avó avisou que eu tinha chegado. Fui chamado ao telefone e o esporro começou ali, por cortesia da TELERJ. quando fui inquirido onde estava, repeti a lorota e a situação acalmou um pouco. Meus pais realmente achavam que nosso condomínio era um local seguro. Levei mais um pouco de esporro por telefone e depois uma dose extra ao vivo quando meus pais chegaram em casa, e o caso parecia ter chegado ao fim.

Parecia.

Mas não tinha.

Na manhã seguinte meu pai, como de costume, me levou de carro para à escola (meu irmão mais novo estudava de tarde nessa época) e meu pai tinha o hábito completamente sem sentido de dirigir para à escola por dentro do condomínio cheio de curvas, no lugar de sair e ir pela estrada que margeva o condomínio, a qual era reta e cortava uma boa distância. Volta e meia esbarrávamos com colegas de classe meus pelo caminho e meu pai sempre oferecia carona.

Nesse dia, esbarramos com o D.

Senti aquele calafrio na espinha. "F*deu"- pensei, seguido de uma torrente de todos os palavrões e pragas que conhecia, dirigidos ao coitado do moleque que, inocentemente, só estava caminhando para o colégio.

Meu pai desacelerou o carro e chamou o guri.  D. Veio correndo e sentou no banco de trás. Enquanto eu tentava imaginar um jeito de pôr o infeliz a par da história. O garoto mal sentou no banco e meu pai já foi dizendo:

- "Esse trabalho de escola de vocês quase matou minha sogra ontem, hein? Vocês são tão avoados que só não perdem a cabeça porque está colada"

Foi isso ou algo do gênero. O pobre do garoto não entendeu nada e respondeu com um "Hã?" que já dizia tudo. Ainda tentei consertar a situação, mandando um "Quando perdi a hora jogando videogame contigo depois do trabalho em grupo, cara", e o D. ainda tentou ajudar, exclamando um "Aaahhhh", em uma atuação tão sem talento que nem uma criança de pré-escolar engoliria.

Meu pai pescou no ato que era mentira e o esporro recomeçou. Sem escolha, tive que contar a verdade e só não ouvi mais porque a escola era perto.

Fiquei uma fera com o D., acusando-o (injustamente) de ter estragado minha história. D., por sua vez, conseguiu de forma bizarra tentar ficar se desculpando e justificando ao mesmo tempo que ria da minha cara. E até hoje não sei o que foi pior... ter que contar a história a manhã inteira para umas vinte pessoas diferentes ou a bronca redobrada naquela noite em casa, além do castigo de ficar sem alugar jogo algum no próximo fim de semana e sem poder jogar videogame até segunda ordem.

Mas pelo menos joguei "Art of Fighting". Jogo legal.

22 de set. de 2020

Divagações Oldschool: Campeonatinho


Na primeira metade dos anos 90, minha época de ouro como jogador, a esmagadora maioria dos títulos era para no máximo dois jogadores, mas se engana quem pensa que isso era um empecilho para a galera jogar junto. Para solucionar tal situação veio a ser criado, em muitos locais diferentes e de forma autônoma o famoso campeonatinho.
Não, não era uma imitação daqueles campeonatos oficiais da Nintendo que tinham lá fora e nós sequer sabíamos como funcionavam. Nada de ver quem coleta 50 moedas mais rápido em "Super Mario Bros" nem nada do gênero. O campeonatinho era herdeiro direto dos campeonatos de futebol de botão.
Os jogos de futebol eram disparado os mais populares nos campeonatinhos de videogame do começo dos anos 90- algo um tanto óbvio e esperado. "Super Futebol" do Master, o "Futebol" da Milmar para NES-clones eram os mais cotados onde cresci, mas também tivemos os de "Soccer" (NES). "Goal!" e "Nintendo World Cup". Além de futebol também eram frequentes campeonatinhos com jogos de corrida ou outros esportes (depois, quando os 16 bits chegaram, os jogos de luta viraram febre).
Quantos eram mesmo? Dificilmente vou lembrar todos, mas teve de "Town & Country Surf Designs: Wood and Water Rages" (NES); "Super Sprint" (jogo não licenciado de NES); "Double Drible" (NES, e que festa era quando os mascotes dos times apareciam nos intervalos dos sets); "Ice Hockey" (NES) e, em especial, os animadíssimos campeonatos de "Jogos de Verão", o único título que conseguia arranhar a supremacia dos jogos de futebol e onde até briga na hora de se escolher o patrocinador rolava.
Então os 16 bits chegaram e os jogos de luta viraram febre. "Mortal Kombat" (SNES e Mega); "Street Fighter 2" (SNES e Mega) e "Art of Fighting" (SNES) eram os mais jogados, mas o futebol não foi esquecido, em grande parte graças a Allejo, a versão do Bebeto de "International Superstar Soccer" (SNES).
Mas e os campeonatos? Como eram? A primeira coisa a ser dita é que os campeonatinhos eram na maioria das vezes espontâneos, sem planejamento prévio nem nada combinado com antecedência. Em geral era fruto de tédio mesmo, ou de algum comentário aleatório sobre algum jogo que funcionava como um gatilho para alguém propôr a ideia.
Em seguida se faziam as chaves, rabiscadas em geral em alguma folha de caderno escolar arrancada. Quem jogaria com quem era decidido por sorteio (papelzinho com nome retirados do boné de alguém), zerinho-ou-um, ou qualquer outra forma. Se alguém precisasse ir embora antes de jogar (caso sua presença em casa fosse requisitada pela mãe ou pai, por exemplo) perdia por W.O.
Obviamente não dava para todos jogarem juntos (exceto em "Jogos de Verão") então o que se fazia era uma série de partidas amistosas nos jogos de esporte, ou sequências de Player 1 vs Player 2 nos de luta. Terminada a partida, botão Reset apertado, novos jogadores e assim sucessivamente, se repetindo o processo até se ter o grande vencedor. Gritaria, gargalhadas e brigas acompanhavam o evento do começo ao fim. Mais de um campeonato foi encerrado por pais irritados com palavrões e xingamentos berrados a pleno pulmões, fato geralmente seguido por uma série de irritadas acusações mútuas dos ex-competidores sentados no meio- fio após o cancelamento por força maior.
Campeonatinho tinha prêmio? Em geral não, ou mlhor, nada além de prestígio e de motivo para contar vantagem e zoar os outros na rua, mas havia aqueles, semi-escondidos, onde se cobrava uma taxa para participar (valor irrisório... seria algo como um ou dois reais hoje) e cujo montante final, fortuna que mal dava para alugar uma fita no sábado, era dado ao vencedor, ou, mais raramente, dividido também com o segundo e terceiro colocados. Muitos de nós participavamos desses escondidos, pois muitos pais não aprovavam tal prática. Meus pais nunca esquentaram para isso, então meu irmão e eu não tinhamos grandes preocupações, mas para alguns vizinhos era caso de sigilo total.
"E você venceu algum campeonatinho?" Que eu me lembre... não... talvez algum de "Mortal Kombat"... meu irmão mais novo tinha o cartucho e jogávamos bastante e ambos ficamos muito bons nesse título, mas realmente não lembro. Com certeza nunca venci algum de futebol, corrida ou outro esporte qualquer. Nunca foi o tipo de jogo que me saí melhor. Meu lance era mais jogos de plataforma,  beat'em ups, adventures, RPGs... nenhum deles nada cotado para os campeonatinhos locais.
Até cheguei a propôr uma vez um de "Chess Master" no meu Phantom System, mas acabou ficando só na proposta mesmo.


19 de set. de 2020

Divagações Oldschool: Grata Surpresa

 

No início dos anos 90 obviamente não contavamos com todas as facilidades da galera de hoje para conhecer um jogo. Na hora de alugar uma fita basicamente tinhamos no máximo alguma revista especializada, e na maioria das vezes nem isso! Eram só as fotos na parte de trás da caixa do cartucho e olhe lá! E quanta gente já não foi ludibriada por aquelas fotos?
E tal situação ainda piorava nos dias que você chegava na locadora e já tinha sido quase tudo alugado... só te restava a nada animadora opção de ficar vasculhando as prateleiras mais baixas em busca de algo minimamente interessante.
Em geral em vão... quantas lembranças de diversão frustrada foram geradas assim? Todo veterano dos tempos de poucos bits tem dessas desventuras para contar. 
Mas... nem sempre... 
Vez ou outra você era premiado com a grata surpresa de uma hidden gem subvalorizada- aquele joguinho injustiçado que merecia um pouco mais de reconhecimento e um lugar um tantinho mais alto ns prateleira. Aconteceu comigo um par de vezes.
A primeira não foi realmente comigo... um vizinho alugou "Werewolf: The Last Warrior", do NES, e me chamou para jogar no domingo. O jogo surpreendeu, sendo um clone de "Castlevania" bem razoável. 
Meu caso também foi com um jogo de Nintendinho. Eu nem cheguei tão tarde na locadora. Era hora do almoço ainda, mas naquele dia excepcionalmente quase todos os jogos já estavam com a maldita tirinha de papel rosa ou amarelo escrito "ALUGADO" enfiada nas caixas. De nariz torcido aluguei "The Goonies 2" e, felizmente, me surpreendi.
Olhando para o jogo se compreende meu ressabiamento inicial. Os gráficos passam longe de serem algo impressionante. Coloquei o cartucho para rodar inicialmente com aquele ar de "fazer o quê", o qual aos poucos virou genuíno interesse.
Nao que seja um dos meus jogos favoritos... não passa perto, mas é um plataforma com toques de adventure e RPG até legal. Os gráficos ajudam pouco, de fato, mas também não são de doer as retinas. É aquele jogo que você nem sabe dizer como nem porque, mas te pegou. Joguei bastante e um velho amigo, parceiro habitual de jogo, também curtiu. Só não avançamos mais porque é o tipo de jogo que ler o manual ajuda muito, e a locadora não disponibilizava os manuais para o jogador, e meu inglês aos 11 anos era menos que incipiente. Não fosse por isso garanto que teríamos ido mais longe!
Pois é... tem dias que nem a prateleira de baixo consegue fazer a sorte deixar de sorrir para você. Era raro, admite-se, mas até que esse tipo de coisa acontecia no tempo das locadoras.

15 de set. de 2020

Outro jogo (MUITO) ruim. Não recomendo nem para os seus filhos

 


Acho que não precisa dizer muita coisa sobre esse dinossauro com uma cara um tanto quanto suspeita.

Um brincadeira simples de pique-esconde, foi transformada em uma brincadeira em um mundo psicodelico, onde tem que encontrar as crianças que não estão tão escondidas assim.

Sons esquisitos e falas escrotas são emitidas pelo dinossauro com cara de tarado ou drogado, fica a gosto do freguês.

Jogabilidade horrivel que irrita até uma criança.


Pode ter sido feito com o intuito de instruir, mas não passa de um jogo medonho, com uma jogabilidade pior ainda.

"look, it´s a duck.", "Oh boy, a duck"