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15 de ago. de 2018

Quartet


Muitos jogos dos consoles domésticos de 8 e 16 bits eram adaptações ("ports", como usualmente se chama na língua gamer) de jogos originalmente destinados aos arcades. "Double Dragon" e  "Golden Axe" são apenas dois dos exemplos mais conhecidos que me vem primeiro à mente, mas a lista é bem extensa. 
Como a capacidade dos videogames domésticos era consideravelmente inferior àquela dos arcades, muitos desses ports tinham que ser drasticamente modificados, ou seja, basicamente acontecia o mesmo que em filme com orçamento apertado... passa a tesoura e cortes para todo lado! 
Gráficos e música eram simplificados de acordo com a capacidade do hardware do console domésticos, cutscenes algumas vezes foram omitidas, por vezes se cortavam alguns personagens (na versão de "Golden Axe" para Master System só se podia jogar com o bárbaro Ax Battler), outras estágios inteiros (a versão do SNES  de "Final Fight" cortou completamente a fase "Industrial Area", incluindo seu chefe, Rolento), e por aí vai! 
"Quartet", versão de um jogo de arcade de 1986 lançada pela Sega para o Master System em 1987,  foi praticamente um caso-modelo, passando por quase tudo isso... teve gráficos e sons alterados, uma drástica diminuição das mais de noventa (sim, noventa!) fases do arcade para apenas seis no videogame e a redução de elenco de quatro para o máximo de jogadores que podiam jogar simultaneamente no Master System, apenas dois- daí a versão japonesa do port ter sido coerentemente rebatizada como "Double Target- Cynthia no Nemuri", já que aí não podia mais se falar de um "quartet"... "quartet", "quarteto", sacou? 
E aí lançaram uma versão nos EUA e o jogo acabou sendo re-rebatizado como "Quartet" de novo, provavelmente para os jogadores do arcade reconhecerem o jogo e assim não se arriscar perder consumidores. É... por vezes coisas assim aconteciam.

História e Roteiro


Inicialmente "Quartet" (ou "Double Target") parece ter uma típica historieta de jogo de ação em cenário de ficção científica dos anos 80: a Colônia Espacial Número 9 (Space Colony Number 9, em inglês) está sob o ataque de uma força alienígena aparentemente composta por androides e monstros de filme B, cabendo a uma dupla de heróis (a agente escassamente vestida Mary e o grandalhão de óculos escuros Edge) acabar com a bagunça. Nada demais, nada de novo, exceto pelo fato que os invasores alienígenas roubaram um ataúde- e não um ataúde qualquer, diga-se de passagem! Foi o da grandiosa imperatriz Cynthia!
Sim, os extraterrestres roubaram um caixão. Com um corpo dentro. E aparentemente só por deboche...enfim... Agora Mary e Edge devem derrotar os alienígenas, salvar a colônia e resgatar o caixão da imperatriz Cynthia e recolocá-lo em sua tumba sagrada (não necessariamente nessa ordem).
Não chega a ser lá uma grande reviravolta, mas... de fato é um tanto insólito...

Gráficos


Os gráficos de "Quartet" (ou "Double Target") não são grande coisa. Para ser bem franco, estão abaixo da capacidade do hardware do Master System, tendo gráficos bem menos trabalhados que muitos títulos do console lançados mais ou menos na mesma época. 
Os sprites dos personagens são pequenos e, se não são desagradáveis aos olhos, são realmente bem simples. O mesmo pode ser dito dos sprites dos oponentes, embora seja um ponto favorável ao jogo  ter um número razoável de inimigos diferentes. Algo que "Quartet" (ou "Double Target") se diferencia de muitos dos jogos de plataforma antigos é que os chefes de fase não são muito grandes (o pássaro que cospe bolas de energia da primeira fase é quase do mesmo tamanho de Mary ou Edge, por exemplo). Dentre os inimigos de fase, destaque especial para uma caveira metálica gigante e voadora (sinistro, hein?) que aparece a partir da terceira fase. Dentre os chefões, meu favorito é o lagarto da 2o fase, o qual sobe e desce agarrado às paredes da caverna.
Os cenários, esteticamente falando, são bem simplistas, até sem brilho, mas pelo menos são razoavelmente reconhecíveis. O jogo tem apenas seis fases, divididas em:

-1o Fase: O exterior da colônia espacial
-2o Fase; As cavernas
-3o Fase: O labirinto
-4o Fase: A nave espacial
-5o Fase: O templo (o mesmo onde o corpo da imperatriz Cynthia repousava? Nada é dito no manual do jogo)
-6o Fase: O interior da colônia espacial, aparentemente um setor ligada à engenharia (bem futurista, como não podia deixar de ser)

Dentre os seis cenários, o do templo é aquele que, disparado, mais me agrada. Já vi templos melhores em outros jogos, mas esse aí até que não está mal.
Uma curiosidade é que o desenho de Mary na tela de abertura sofreu alterações na versão norte- americana. Na original japonesa, Mary possui cabelo negro e liso, tipicamente oriental. Na versão lançado nos EUA ela  tem cabelos castanhos e parece uma atriz do seriado "As Panteras" ou de alguma daquelas sitcom dos anos 80 em que todo mundo ficava se abraçando toda hora por qualquer coisinha. O cabelo da personagem durante o jogo reflete essa mudança.

Mary na versão do Tio Sam

Música e Efeitos Sonoros

No todo, as músicas do jogo não são ruins, nem são fantásticas. Como é um daqueles jogos cujo ponto forte é a ação, em geral são bem agitadas, para ajudar a manter o ritmo. A música da primeira fase é a única realmente bem legal, enquanto as outras não tem nada demais, inclusive a música tema da abertura, que apenas cumpre sua função.
Os efeitos sonoros não tem nada de especial ou notável. Cumprem sua parte sem comprometer negativamente o jogo e é só.

Controles e Jogabilidade

Os controles são simples (Um botão para atirar, outro para saltar, e o direcional para definir as direções para onde se avança e agachar, obviamente) e respondem muito bem, com jogabilidade acima da média da época. Mesmo os pulos são bem precisos. Também não percebi nenhum problema na detecção de dano.
Vale a pena lembrar que "Quartet" (ou "Double Target") faz parte do punhado de jogos de Master System (assim como "Rambo: First Blood Part II"/ "Secret Commando" e "Double Dragon") que permitia duas pessoas jogarem ao mesmo tempo. Ao se jogar sozinho, automaticamente se joga com Mary. Em caso de uma dupla de jogadores, o player 1 controla Mary e o player 2 controla Edge. Não existem diferenças entre os personagens, exceto na aparência.

Dificuldade


"Quartet" (ou... não, chega... vocês já entenderam) é um daqueles jogos com dificuldade mediana mas com alguns detalhes que podem complicar a vida do jogador. Ao contrário da maioria dos jogos antigos, onde a energia do personagem era medida em barras ou corações, em "Quartet" conta-se a energia do personagem em um contador de quatro dígitos que diminui automaticamente conforme o tempo passa e também devido a golpes  ou tiros recebidos. Quando o contador chega a zero, o agente morrerá ao mínimo toque e o jogador perderá uma vida. Basicamente é uma mistura de barra de energia e relógio de tempo!
Outro detalhe que pode ser chato... cada fase possui uma estrela amarela, que o jogador deve apanhar. É preciso ter recolhido todas as cinco estrelas para poder passar para a sexta e última fase. Algumas das estrelas estão a vista, mas outras ocultas e podem passar batidas se o jogador não for persistente em procurá-las.
O jogo tem alguns power-ups espalhados para auxiliar o jogador na sua luta contra os alienígenas ladrões de cadáver, como um relógio que pára o tempo ou um frasco que concede invencibilidade temporária. O mais importante dos itens que podem ser encontrados é a mochila voadora/ jet pack. Toda fase tem um e ao apanhá-lo ele ficará preso às costas do agente, que poderá voar em todas as direções. O jet pack não fica sem energia ou combustível, mas o jogador o perderá se levar algum tiro ou mesmo um esbarrão de algum inimigo, embora o jet pack fique no cenário e possa ser recuperado. Em cada estágio é necessário também recolher uma chave mágica que abre a porta de saída, deixada para trás pelo chefe da fase ao ser derrotado.
"Chave mágica? Isso não é um jogo de ficção científica? Um cartão de acesso ou algo assim faria mais sentido". Ora... estamos falando de um jogo de 8 bits dos anos 80... onde está seu romantismo, jovem gamer?

Comentário Final


"Quartet" é um jogo que alterna pontos fortes, como a boa jogabilidade, com fracos, como gráficos pouco dignos de nota. As fases tem um design até banal, além de serem também um tanto repetitivas, mas ainda assim são razoavelmente divertidas de se atravessar. A dificuldade também dá um salto considerável da 4o fase para a 5o fase, que pode pegar de surpresa ou causar frustração em alguns. No geral, "Quartet" é um jogo que, dentro de suas limitações, é capaz de divertir, desde que não se crie expectativas que ele não possa cumprir. É um título recomendado em especial para jogadores fãs de jogos de plataforma oldschool.

NOTA: 6,0

23 de mar. de 2016

Jim Power: The Lost Dimension in 3D



Desenvolvido francesa Loriciels (a mesma empresa que desenvolveu o não muito famoso"Best of the Best: Championship Karate" para NES, SNES, Mega Drive e Game Boy) "Jim Power: The Lost Dimension in 3D" foi lançado tanto para PC quanto para o Super Nintendo já próximo do fim do ano de 1993. 
Com bons gráficos, ótima trilha sonora, dificuldade insana, roteiro descompromissado e um protagonista mais "90´s" impossível, o título resume boa parte daquilo que os jogos dos anos 90 tinham de melhor e também de pior. Até mesmo em se tratando de estilo de jogo "Jim Powers: The Lost dimnension in 3D" isso está presente, diversas formas diferentes de se jogar variando de fase a fase. Existem fases estilo plataforma... fases com vista de cima para baixo, estilo top- down... fases de shooter, onde se pilota uma nave ou se maneja um traje com jetpack... 
Mesmo não sendo proposital, o jogo funciona quase como um apanhado ou panorama geral do que caracterizava os videogames naquela época, tendo isso como um apelo a mais.

3 de mar. de 2016

The Chaos Engine


Também conhecido como "Soldiers of Fortune", título recebido nos ports para Mega Drive e SNES, "The Chaos Engine" é um pequeno clássico lançado originalmente para Amiga em 1992, desenvolvida pela inglesa The Bitmap Brothers. Embora nunca tenha sido um sucesso estrondoso, o jogo pode ser classificado como "cult", conseguindo angariar, merecidamente, uma base respeitável de fãs, e recebendo adaptações para várias plataformas.diferentes.

História e Roteiro

"The Chaos Engine" parte de uma premissa um tanto "pulp", criando tanto uma história quanto ambientação de ficção científica com tons de steampunk. Em algum momento do século passado, após um desastroso experimento de viagens temporais, um cientista inicia acaba preso na Inglaterra vitoriana, em pleno final do século XIX.
Um inventor da época, Barão Fortesque, acaba tomando colocando as mãos no conhecimento científico trazido pelo viajante do tempo e com uma mistura bizarra de retroengenharia e tecnologia vitoriana, acaba desenvolvendo um aparelho capaz de manipular tempo e espaço, o Chaos Engine (Motor do caos, em tradução livre),  uma primitiva, porém poderosa, máquina com características tanto de computador, quanto de reator e motor.
A experiência sai de controle pois o Chaos Engine aos poucos torna-se senciente e acaba absorvendo seu criador. Logo o maquinário começa a utilizar suas capacidades para alterar tanto o ambiente quanto as formas de vida ao seu redor. Automátos, mutantes e até dinossauros espalham-se, enquanto lagos tóxicos borbulhantes, florestas sombrias e planícies áridas vão tomando o lugar da natureza original da ilha. 
Os cabos telegráficos acabam cortados. Barcos tentando se aproximar da Inglaterra são atacados e apenas quando refugiados, dentre os quais membros do parlamento e da família real, começam a chegar é que a real situação se torna conhecida para o resto do mundo. Em pouco tempo pânico e crise tomam conta, e para evitar que o pior aconteça um grupo de mercdenários tenta alcançar e destruir o Chas Engine a qualquer custo.

Gráficos



O jogo possui uma perspectiva vista de cima para baixo (topdown perspective), sendo bastante bem feitos para a época. Os sprites dos personagens não são grandes, como era tradição em jogos Run-and-Gun mas são bem detalhados, sendo cada mercenário único e perfeitamente reconhecível. Os cenários são bem amplos, com gráficos limpos e bem detalhados, assim como os inimigos de fase. 
A arte pixelada nas telas de escolha de personagem caracteriza-os com um tom um tanto sombrio, em um tipo de arte que lembra os quadrinhos da época. Gosto em especial do visual do Gentleman, embora todos os mercenários tenham tudo designs bem interessantes.
A animação dos sprites é fluida, embora tenha poucos frames, logo tendo pouca variação de posições para cada personagem, algo de acordo com a capacidade tecnológica do início dos anos 90.

Música e Efeitos Sonoros


As músicas do jogo são boas. Possuem todo o clima de aventura pulp, necessárias para criar o clima, com uma pitada de música tecno para combinar com os elementos steampunk. Gosto em especial da música da tela de abertura/ menu de opções, mas as músicas de fase não ficam atrás, apenas sendo mais movimentadas, com ritmo mais rápido.
Os efeitos sonoros são acima da média daqueles do períodos. Os sons do ambiente, quando por exemplo, as antenas condutoras são ativadas, merecem destaque.

Controles e Jogabilidade



Como o jogo foi adaptado para uma quantidade considerável de plataformas, seus controles variam em cada versão. Resumidamente podemos dizer que o personagem se movimenta em todas as direções cardinais usando-se o direcional, atira com um botão, usa a hablidade especial com outro, e alterna habilidades especiais com o mercenário controlado pelo computador com outro (apenas quando jogado sozinho). Existe também um botão para pausar o jogo.

A jogabilidade é razoavelmente fluída, raramente atrapalhando a performance do jogador durante as partidas. Pode parecer um tanto dura para os padrões de hoje em dia, mas isso se explica pela época em que o jogo foi originalmente lançado.


O jogo pode ser disputado tanto por um jogador quanto em dupla. caso tenha apenas um jogador, outro mercenário deve ser escolhido para ser controlado pelo computador. ATENÇÃO! O computador não os controla da mesma forma. Quando maior o atributo Wisdom do mercenário, melhor o computador o manuseia.
Existem seis mercenários como opção de escolha para os jogadores, cada um com um custo diferente em dinheiro: Brigand (brigadista); Gentleman (cavalheiro); Thug (brutamontes, mas também pode ser traduzido como bandido); Mercenary (mercenário); Navie (fusileiro naval) e Preacher (pastor).Nas versões lançadas nos EUA, o personagemPreacher foi renomeado Scientist (cientista), tendo tido seu colarinho branco clerical removido. 

* Brigand: Um personagem que equilibra velocidade, energia e poder de fogo. Usa um rifle como arma e começa o jogo com a habilidade de disparar várias balas ao mesmo tempo para todos os lados.

* Gentleman: O cavalheiro tem um pouco menos de resistência que seus companheiros militaristas, assim como sua arma, uma pistla lança- chamas, faz menos dano, mas é mais rápido e começa o jogo com a habilidade de mostrar o mapa da fase, algo mais útil do que parece a princípio. Suas habilidades posteriores são bem úteis também.

* Thug: O personagem mais resistente do jogo, mas lento. Possui o segundo melhor poder de fogo, só perdendo para o navie. Usa uma escopeta como arma e pode arremesar coqueteis molotov como habilidade inicial.

* Mercenary: Outro personagem equilibrado, ao estilo do Brigand, apenas com um pouco mais resistente e com um poder de fogo um pouco menor. Usa uma gatling Gun como arma e sua habilidade inicial é usar bombas.

* Navie: O melhor poder de fogo do jogo, usando um canhão como arma. Sua habilidade especial é a dinamite, muito útil, capaz de matar todos os inimigos da tela. Seu principal mponto fraco e a lentidão.

* Preacher/ Scientist: O personagem com menos energia de todos, assim como com o poder de fogo mais fraco. Usa uma arma de raiso elétricos como arma e compensa suas deficiências com grande velocidade e ótimas habilidades. Por começar com o kit de primeiros socorros e ter a maior wisdom (sabedoria) de todos, é uma ótima opção para parceiro em jogos 1 player.

Dificuldade


"The Chaos engine" é um jogo bastante desafiador, com uma dificuldade até acima da média da época em que foi lançado. Não é contudo um jogo desequilibrado e a curva de aprendizado é razoavelmente rápida.
Os personagens perdem energia razoavelmente rápido, com golpes ou tiros dos oponentes, e alguns são mais pergigosos e traiçoeiros que parecem a primeira vista, como os sapos gigantes das primeiras fases, daí acaba sendo importante a memorização de padrões,por exemplo onde os inimigos aparecem e como atacam.
Os personagens começam com vidas e barra de nergia mas cada estágio é consideravelmente mais difícil que o anterior. Felizmente é possível, a cada algumas fases, comprar melhoras nos atributos e nas habilidades na loja, assim como novas habilidades e também vidas.

Comentário Final



Uma ótima pedida para quem gosta de jogos de tiro em terceira pessoa estilo run-and-gun ou de jogos centrados m ação e exploração. Bons gráficos, boa música, bom para jogar com alguém. Sua dificuldade pode afastar jogadores mais novos, mas vale a pena investir um tempo para ir pegando o jeito, pois o jogo é divertido.
"The Chaos Engine"/ "Soldiers of Fortune" não foi o que os anos 90 produziu de mais brilhante e a primeira vista pode parecer um tanto genérico, mas merecia um pouco mais de reconhecimento e é um jogo que tem potencial para agradar tanto jogadores old-school quanto jogadores mais novos dispostos a dar-lhe uma chance. 
Vale a pena lembrar que "The Chaos Engine" está disponível para venda no Steam e também no site Good Old Games, ambos em uma versão onde se pode escolher tanto os gráficos originais quanto uma versão levemente atualizada.

NOTA: 8,0

* Curisosidade 1: Obviamente a alteração de "Preacher" para "Scientist" foi feita para evitar polêmicas ou rejeição por parte do público norte- americano. Apesar da mudança no nome e da pequena alteração estética em seu design, em termos de jogo o personagem permanceu inalterado, não recebendo nem reduções nem aumentos em nenhum dos seus atributos.