21 de ago. de 2018

Alex Kidd: The Lost Stars


Quando um jogo fazia muito sucesso nos anos 80 e 90 raramente ficava sem uma continuação. Por vezes a continuação era melhor que o original, como foi com "Streets of Rage 2", outras apenas mantinha o nível, como "Golden Axe 2", e de vez em quando... decepcionava... "Alex Kidd: The Lost Stars", lançado em 1987 para o Master System pela própria Sega, foi um desses casos.

História e Roteiro


Ao contrário do primeiro jogo da franquia, "Alex Kidd in Miracle World", Nada de "jornada do herói" aqui... "Alex Kidd: The Lost Stars" tem um tom fantasioso mais de fábula ou de livro infantil, o que em si não é um defeito, apenas mas não era bem o que se esperava:
Enquanto o Alex Kidd, príncipe coroado de Radaxia, viajava pelo Miracle World, as doze constelações do céu de Aries desapareceram (curiosamente são as mesmas doze constelações usadas no horóscopo da Terra, inclusive representadas pelos mesmos símbolos). Aliás, elas não apenas desapareceram, as estrelas foram roubadas! 
Decidido a descobrir por quem, Alex retorna ao Monte Eternal e lá se encontra com o mago Daleda, o qual lhe explica o que aconteceu... cinco mil anos atrás as constelações do céu de Aries foram roubadas (sabe-se lá para o que... o que alguém faria com uma estrela, afinal?) por um ser conhecido apenas como Ziggarat
Um ancestral de Alex, o príncipe Halifax Kidd (que nome... aposto que sofreu bulling na escola), viajou além do tempo e espaço atrás de Ziggarat, derrotando- o e trazendo de volta as estrelas (algo inviável em termos de Astronomia, mas indiscutivelmente heroico), mas Ziggarat, como todo vilão que se preza, jurou vingança, prometendo voltar e tomar para si as estrelas mais uma vez. Agora, cinco mil anos depois, o vilão está de volta e cumpre sua ameaça, deixando o céu de Aries frio e escuro sem suas estrelas. 
Não sei dizer se Ziggarat é um cara persistente ou rancoroso...
Daleda ainda afirma apenas que apenas alguém com sangue real, como Alex , é capaz de encontrar as Miracle Balls (esferas milagrosas, em tradução livre
) e assim recuperar as estrelas e trazê-las de volta aos céu de Aries. Obviamente não podia ser de outra forma, não é?
Alex Kidd então decide seguir os passos de Halifax e ir atrás de Ziggarat para mostrar para o vilão que teria sido melhor ficar mais uns milênios sem mostrar a cara. Com seus poderes, Daleda abre um portal entre os mundos e Alex parte em busca das estrelas perdidas. 
Vamos lá... não é um enredo tão ruim assim, né?

Gráficos

Perturbador...
"Alex Kidd: The Lost Stars" é um jogo com cenários bem coloridos, com arte bem razoável, melhor que a média de 8 bits.  Os cenários dos estágios tem um tom bem lúdico, e, embora isso seja mais acentuado na primeira fase, "Toy World"/ Mundo dos Brinquedos com seus cachorros que latem "BOW WOW", todas tem uma boa dose disso, até mesmo a terceira fase, "World of Make Believe"/ Mundo do Faz de Conta, apesar de cheia zumbis e monstrengos.
Os sprites dos personagens do jogo, tanto do herói quanto dos vilões de fase, são grandes, mas a animação é apenas mediana devido a quantidade limitada de frames por sprite. No geral são bem feitos, mas é desse jogo um dos mais... peculiares... inimigos de fase que já vi na minha razoavelmente longa vida de gamer: algo como um punk pelado de óculos escuros e moicano vermelho que caga caveiras enquanto rebola para o herói. Pelo clima da fase, acredito que seja algum tipo de zumbi ou morto- vivo, mas, independente disso... é bizarro... muito bizarro...
Um detalhe divertido: a cápsula que contém a segunda miracle ball/ esfera milagrosa do jogo é o corpo de Opa- Opa, herói-nave da franquia "Fantasy Zone", apenas sem as suas características asas!


Músicas e Efeitos Sonoros

A trilha sonora do jogo não é ruim, mas o tom meio música de carrossel presente pode torná-la enjoativa após algum tempo. A música toca na tela de abertura, onde Alex Kidd fica saltando de um lado para o outro sem nenhuma razão aparente feito um idiota, exemplifica isso perfeitamente.
Os efeitos sonoros, por outro lado, são um pouco melhores que a média. Destaque para a voz que declara a cada começo de fase, de forma bem sintética mas inteligível, "I'm the Miracle Ball".

Controles e Jogabilidade


Não há nada de errado com a jogabilidade de "Alex Kidd: The Lost Stars"- na verdade acho os saltos em "The Lost Stars" mas bem afinados que os de "Alex Kidd in Miracle World"! 
Um detalhe legal é que o jogo varia um pouco a jogabilidade em três momentos: 
1) Uma fase inteira sob a água, a 4o fase (batizada, de forma um tanto óbvia, como Water World/ Mundo aquático), onde Alex nada e usa um snorkel. 
2) Um trecho, embora bem curto, onde se voa agarrado a um daqueles balões de festa de aniversário. 3) A última fase, Zigurat, passada no espaço, onde os saltos de Alex são bem maiores devido à baixa gravidade.
Não é nada excepcional, do outro mundo, mas deixa o jogo um pouco mais interessante ao quebrar a mesmice.

Dificuldade

Aquela é a Estátua da Liberdade?
"Alex Kidd: The Lost Stars" não é um jogo difícil, ainda mais quando comparado com o osso duro de roer que é o "Alex Kidd in Miracle World"! Sua dificuldade é equilibrada, apenas com uns detalhes para se prestar atenção, coo Alex não ter naturalmente nenhum tipo de ataque. Algo que complica um pouco, embora seja mais aborrecido do que realmente difícil, é que depois de passar pelas seis primeiras fases, o jogo as repete, uma a uma, apennas com um grau de dificuldade ampliado. Eu odeio isso nos jogos oldschool...
O jogo possui alguns power ups que, literalmente, caem do céu, como um que faz Alex Kidd saltar mais rápido (um "J"); outros que conferem a habilidade de disparar rajadas de energia contra os inimigos (um "S" ou "US") e um último que dá mais tempo para completar a fase ( "SC"). Existem também alguns itens escondidos pela fase, como dinheiro ou o rosto de um palhacinho, mas valem apenas pontos.

Comentário Final


"Alex Kidd: The Lost Stars" é um sucessor à altura do primeiro jogo da série? Não, não é. Definitivamente não é, mas... também não é um jogo tão ruim quanto alguns dizem. Tem suas qualidades, como a boa jogabilidade, e é capaz de divertir, ou pelo menos distrair por um tempo, desde que jogado de forma descompromissada, sem criar grandes expectativas. Recomendado em especial  para fãs hardcore de jogos plataforma ou pessoas que gostem de livros infantis, mesmo não tendo mais idade para isso.

NOTA: 5,5

19 de ago. de 2018

Divagações Oldschool- Por que tanta gente não gosta de "Alex Kidd: The Lost Stars"?



Fazia um bom tempo que não jogava "Alex Kidd: The Lost Stars". Do Alex acabo jogando mais o "Alex Kidd in Miracle World" mesmo. Fim de tarde de um domingo cansativo... por que não variar um pouco? E ainda não tinha conseguido chegar até o final do "Lost Stars". Hoje foi o dia. Zerei
Valeu a hora quase completa que joguei? Olha, no amplo mundo dos games existem títulos supervalorizados assim como existem títulos imerecidamente repudiados, que podem até não ser grandes jogos, mas não merecem realmente o olhar torto recebido de tantos jogadores. Para mim, "Alex Kidd: The Lost Stars" é um desses do segundo grupo.
É uma grande sequência para o ótimo "Alex Kidd in Miracle World"? Não, não é., mas... também não é, em si, um jogo ruim. A mim parece que o grande problema do jogo, e que afastou uma parte considerável dos jogadores, é que simplesmente... não é Alex Kidd- ou pelo menos o Alex Kidd traçado em "Alex Kidd in Miracle World". Basicamente isso.
Alex Kidd foi escalado como protagonista por uma questão comercial, porque ele era o mascote da empresa, um personagem de sucesso na época, mas não se preocuparam em analisar se o personagem se encaixava no novo jogo da franquia. A impressão que ficou em mim foi essa.
Teoricamente "Alex Kidd: The Lost Stars" se passa depois de "Alex Kid in Miracle World", mas enquanto o "Miracle World" era um jogo de aventura com ação, onde um jovem lutador parte em uma missão bem nos moldes do "mito do herói", cruzando cenários aventurescos (florestas, castelos, etc) que faziam sentido juntos, encaixando-se bem e criando um mundo com tons épicos, mas coerente. 
E a sequência?
O Alex de "Lost Stars" é uma versão infantilizada do herói do primeiro, perde sem mais nem menos suas habilidades de luta, sendo seu único ataque uma espécie de raio conseguido quase ao acaso. Onde está o cara capaz de quebrar pedras com um soco? Que derrotou um touro a base de murros? Nem mais saltar como um artista marcial ele salta! Parece mais um integrante de companhia de balé infantil!
Os cenários também são infantilizados- tem até uma "A Terra dos Faz de Conta" como um dos estágios!  E as fases não tem nenhum conexão direta aparente, o jogando pulando de um cenário fantasioso para outro aleatoriamente. Não conseguiram manter uma verossimilhança com o mundo que conhecemos no primeiro jogo, do qual até o mapa nos era familiar. Lá víamos lagos com ilhas, montanhas, florestas, castelos e vilarejos.  E Alex lanchando entre uma peripécia e outra.
Aqui em "Lost Stars"... cenários que parecem ilustração de livro infantil...  a primeira fase poderia ser usada como estampa de papel de parede de uma sala de jardim de infância! Não parece em nada o planeta Áries que atravessamos no primeiro jogo. Até a Estátua da Liberdade aparece em "The Lost Stars"! Não rola uma identificação por parte do jogador.
Enquanto o primeiro jogo era realmente "mito do herói, era realmente uma história de aventura, o segundo virou um livrinho infantil, um conto de fadas com estrelas que somem e o céu está frio. Se não fosse o Alex Kidd e sim um personagem novo, feito apenas para esse jogo, um "Star Boy" qualquer, acredito que o jogo teria mais aceitação, pois em si não é um jogo ruim. 
Quando se ignora o fato que é o Alex Kidd pulando na tela, quando não se pensa no personagem como Alex Kidd, "Lost Stars" dá para divertir. O jogo tem até uns trechos legais, alguns diferentes da maioria daqueles oferecidos, como uma fase toda aquática, e detalhes que dão alguma variedade, como um trecho em que se voa em um balãozinho ou se desce por uma roldana ao estilo tirolesa. Mas não lembra nada que, depois do primeiro jogo, associamos ao Alex. Ganhar poderes ao agarrar um par de letras caindo sabe se lá da onde? Isso não é Alex Kidd! Onde está o bracelete que dispara rajadas de energia? 
"Alex Kidd: The Lost Stars" é, como falei, mais infantil, com um visual mais lúdico, com mundos mais "conto de fadas', que não se encaixam no cenário do primeiro jogo! Simplesmente isso. 
Sim, eu sei que na história que vem no manual fica bem claro que Alex está fora de seu mundo.... ele atravessou um portal para ir para algum lugar "entre os mundos", ou seja o que for, mas não era o que nós, jogadores esperávamos em uma sequência de Alex Kidd. Seria algo como o jogo lançado para Mega Drive, "Alex Kidd in Enchanted Castle", que não é grande coisa, mas pelo menos é Alex Kidd (Quer dizer, a primeira fase, Rookietown, talvez nem tanto). E mesmo "Lost Stars" se passando em outra dimensão... por que ele desaprendeu a lutar? Como?
Acho que está aí a raiz do ódio de alguns. Não sou um deles. Até gosto do joguinho... é um jogo sem muito brilho, pouco inspirado, mas me divertiu pelo tempo que joguei, essa e outras vezes no passado. O final é fraco, mas a jogada até atingi-lo deu para me distrair em um dia monótono. Jogarei "Lost Stars" de novo? Não sei... não tão cedo, certamente, mas acho que é um jogo que vale a pena ser revisitado por quem ainda não o zerou.
Acho que já sei qual será o jogo do próximo review... mas hoje não... vou jogar "Columns".

17 de ago. de 2018

"The Messenger", retro game de ninja estilo NES, chega dia 30!


Para o fim desse mês está marcado para chegar nas lojas virtuais Steam e GOG e também para o Nintendo Switch um novo retro-jogo que parece promissor, "The Messenger"- em especial se você gostava dos jogos de 8 bits da franquia "Ninja Gaiden"!
Visualmente o jogo lembra bastante a trilogia do NES, inclusive com o detalhe do ninja-gi (isto é, a "roupa de ninja") sem mangas, mas com uns toques 16 bits em algumas coisas.
A história está no ponto para quem gosta de filmes/ HQs/ games de ninja: Em pleno Japão feudal, um vilarejo daqueles que ficam entre nada e lugar nenhum é cercado e sitiado por um exército demoníaco, com youkai até de sobra para umas 50 edições de "InuYasha". Agora cabe a um jovem ninja mostrar que é digno do título e atravessar um mundo amaldiçoado para entregar um pergaminho essencial para a sobrevivência de seu clã e de todo o vilarejo (não necessariamente nessa ordem).


O jogo é estilo plataforma e os desenvolvedores da Sabotage prometem uma jogabilidade dinâmica e acrobática, além de atenção especial para o quesito exploração, com fazes secretas e caminhos alternativos a serem descobertos. "The Messenger", assim como "Ninja Gaiden III- The Ancient Ship of Doom", se arrisca a colocar um pouco de ficção científica na mistura, embora enquanto "Ninja Gaiden III" usou naves espaciais como ingrediente, "The Messenger" optou por viagens no tempo. Os desenvolvedores também prometeram bom humor no jogo, o que é um pouco mais raro em aventuras dos guerreiros das sombras nipônicos.
Outro atrativo do jogo é uma trilha sonora creditada a um artista contemporâneo famoso como compositor de 8 bits, Rainbowdargoneyes. Pelo que vi (na verdade ouvi) no trailer do jogo, o trabalho do cara é bom mesmo!
Para fechar o assunto por hoje, vou deixar o trailer de "The Messenger" logo aí embaixo. Confira!


16 de ago. de 2018

Serviço de Utilidade Pública OSD: Subindo de patente em "Quartet" (ou "Para que servem os pontos?")


Para quem não leu o manual do jogo, a primeira vista os pontos não servem para nada em "Quartet", exceto para se alcançar um score alto por mera satisfação pessoal. Não é bem assim.
Não fica bem claro no jogo, mas "Quartet" possui uma forma de fazer o agente subir de nível e se tornar um pouco mais forte a cada vez que isso acontecesse. E é aí que entra a pontuação.
Não existe experiência em "Quartet" e nem mesmo um marcador para "nível" na tela de jogo. Como falei, "Quartet" possui uma "forma", uma "maneira" de alcançar isso, mas bem particular do próprio jogo.
No início da partida, tanto Mary quanto Edge possuem o posto de SERGEANT (Sargento). É a posição deles dentro da hierarquia militar da força de defesa da colônia. Com a pontuação pode-se subir na hierarquia, ao alcançar a quantidade mínima de pontos requeridos para cada novo posto.

Para facilitar a vida daqueles que resolverem experimentar esse jogo pouco famoso do Master System, vamos deixar aqui a tabela com cada uma das patentes; a quantidade de pontos que é necessário a alcançar e qual melhoria Mary ou Edge recebem ao serem promovidos.

PONTUAÇÃO             PATENTE                          VANTAGEM ADQUIRIDA

0                                    Sergeant ( Sargento)            Patente inicial de Mary e Edge 

40000                            Captain (capitão)                 Distância percorrida pelo tiro aumenta

80000                            Major (Major)                      Ganha 1 vida extra

120000                          Colonel (Coronel)                Alcance (range) do tiro fica mais amplo

200000                          General (General)                 Velocidade do tiro aumenta

Ao se derrotar cada chefe de fase, ganha-se uma medalha. Quando se está jogando EM DUPLA, cada medalha dá 5000 pontos aos jogadores.

Lembre-se! Derrotar os inimigos em si não confere pontos. É preciso apanhar as chamadas "point balls" deixadas para trás pelos inimigos destruídos, as quais conferem uma quantidade aleatória de pontos.

Pronto. Agora vá lá e traga de volta o caixão da imperatriz.

15 de ago. de 2018

Quartet


Muitos jogos dos consoles domésticos de 8 e 16 bits eram adaptações ("ports", como usualmente se chama na língua gamer) de jogos originalmente destinados aos arcades. "Double Dragon" e  "Golden Axe" são apenas dois dos exemplos mais conhecidos que me vem primeiro à mente, mas a lista é bem extensa. 
Como a capacidade dos videogames domésticos era consideravelmente inferior àquela dos arcades, muitos desses ports tinham que ser drasticamente modificados, ou seja, basicamente acontecia o mesmo que em filme com orçamento apertado... passa a tesoura e cortes para todo lado! 
Gráficos e música eram simplificados de acordo com a capacidade do hardware do console domésticos, cutscenes algumas vezes foram omitidas, por vezes se cortavam alguns personagens (na versão de "Golden Axe" para Master System só se podia jogar com o bárbaro Ax Battler), outras estágios inteiros (a versão do SNES  de "Final Fight" cortou completamente a fase "Industrial Area", incluindo seu chefe, Rolento), e por aí vai! 
"Quartet", versão de um jogo de arcade de 1986 lançada pela Sega para o Master System em 1987,  foi praticamente um caso-modelo, passando por quase tudo isso... teve gráficos e sons alterados, uma drástica diminuição das mais de noventa (sim, noventa!) fases do arcade para apenas seis no videogame e a redução de elenco de quatro para o máximo de jogadores que podiam jogar simultaneamente no Master System, apenas dois- daí a versão japonesa do port ter sido coerentemente rebatizada como "Double Target- Cynthia no Nemuri", já que aí não podia mais se falar de um "quartet"... "quartet", "quarteto", sacou? 
E aí lançaram uma versão nos EUA e o jogo acabou sendo re-rebatizado como "Quartet" de novo, provavelmente para os jogadores do arcade reconhecerem o jogo e assim não se arriscar perder consumidores. É... por vezes coisas assim aconteciam.

História e Roteiro


Inicialmente "Quartet" (ou "Double Target") parece ter uma típica historieta de jogo de ação em cenário de ficção científica dos anos 80: a Colônia Espacial Número 9 (Space Colony Number 9, em inglês) está sob o ataque de uma força alienígena aparentemente composta por androides e monstros de filme B, cabendo a uma dupla de heróis (a agente escassamente vestida Mary e o grandalhão de óculos escuros Edge) acabar com a bagunça. Nada demais, nada de novo, exceto pelo fato que os invasores alienígenas roubaram um ataúde- e não um ataúde qualquer, diga-se de passagem! Foi o da grandiosa imperatriz Cynthia!
Sim, os extraterrestres roubaram um caixão. Com um corpo dentro. E aparentemente só por deboche...enfim... Agora Mary e Edge devem derrotar os alienígenas, salvar a colônia e resgatar o caixão da imperatriz Cynthia e recolocá-lo em sua tumba sagrada (não necessariamente nessa ordem).
Não chega a ser lá uma grande reviravolta, mas... de fato é um tanto insólito...

Gráficos


Os gráficos de "Quartet" (ou "Double Target") não são grande coisa. Para ser bem franco, estão abaixo da capacidade do hardware do Master System, tendo gráficos bem menos trabalhados que muitos títulos do console lançados mais ou menos na mesma época. 
Os sprites dos personagens são pequenos e, se não são desagradáveis aos olhos, são realmente bem simples. O mesmo pode ser dito dos sprites dos oponentes, embora seja um ponto favorável ao jogo  ter um número razoável de inimigos diferentes. Algo que "Quartet" (ou "Double Target") se diferencia de muitos dos jogos de plataforma antigos é que os chefes de fase não são muito grandes (o pássaro que cospe bolas de energia da primeira fase é quase do mesmo tamanho de Mary ou Edge, por exemplo). Dentre os inimigos de fase, destaque especial para uma caveira metálica gigante e voadora (sinistro, hein?) que aparece a partir da terceira fase. Dentre os chefões, meu favorito é o lagarto da 2o fase, o qual sobe e desce agarrado às paredes da caverna.
Os cenários, esteticamente falando, são bem simplistas, até sem brilho, mas pelo menos são razoavelmente reconhecíveis. O jogo tem apenas seis fases, divididas em:

-1o Fase: O exterior da colônia espacial
-2o Fase; As cavernas
-3o Fase: O labirinto
-4o Fase: A nave espacial
-5o Fase: O templo (o mesmo onde o corpo da imperatriz Cynthia repousava? Nada é dito no manual do jogo)
-6o Fase: O interior da colônia espacial, aparentemente um setor ligada à engenharia (bem futurista, como não podia deixar de ser)

Dentre os seis cenários, o do templo é aquele que, disparado, mais me agrada. Já vi templos melhores em outros jogos, mas esse aí até que não está mal.
Uma curiosidade é que o desenho de Mary na tela de abertura sofreu alterações na versão norte- americana. Na original japonesa, Mary possui cabelo negro e liso, tipicamente oriental. Na versão lançado nos EUA ela  tem cabelos castanhos e parece uma atriz do seriado "As Panteras" ou de alguma daquelas sitcom dos anos 80 em que todo mundo ficava se abraçando toda hora por qualquer coisinha. O cabelo da personagem durante o jogo reflete essa mudança.

Mary na versão do Tio Sam

Música e Efeitos Sonoros

No todo, as músicas do jogo não são ruins, nem são fantásticas. Como é um daqueles jogos cujo ponto forte é a ação, em geral são bem agitadas, para ajudar a manter o ritmo. A música da primeira fase é a única realmente bem legal, enquanto as outras não tem nada demais, inclusive a música tema da abertura, que apenas cumpre sua função.
Os efeitos sonoros não tem nada de especial ou notável. Cumprem sua parte sem comprometer negativamente o jogo e é só.

Controles e Jogabilidade

Os controles são simples (Um botão para atirar, outro para saltar, e o direcional para definir as direções para onde se avança e agachar, obviamente) e respondem muito bem, com jogabilidade acima da média da época. Mesmo os pulos são bem precisos. Também não percebi nenhum problema na detecção de dano.
Vale a pena lembrar que "Quartet" (ou "Double Target") faz parte do punhado de jogos de Master System (assim como "Rambo: First Blood Part II"/ "Secret Commando" e "Double Dragon") que permitia duas pessoas jogarem ao mesmo tempo. Ao se jogar sozinho, automaticamente se joga com Mary. Em caso de uma dupla de jogadores, o player 1 controla Mary e o player 2 controla Edge. Não existem diferenças entre os personagens, exceto na aparência.

Dificuldade


"Quartet" (ou... não, chega... vocês já entenderam) é um daqueles jogos com dificuldade mediana mas com alguns detalhes que podem complicar a vida do jogador. Ao contrário da maioria dos jogos antigos, onde a energia do personagem era medida em barras ou corações, em "Quartet" conta-se a energia do personagem em um contador de quatro dígitos que diminui automaticamente conforme o tempo passa e também devido a golpes  ou tiros recebidos. Quando o contador chega a zero, o agente morrerá ao mínimo toque e o jogador perderá uma vida. Basicamente é uma mistura de barra de energia e relógio de tempo!
Outro detalhe que pode ser chato... cada fase possui uma estrela amarela, que o jogador deve apanhar. É preciso ter recolhido todas as cinco estrelas para poder passar para a sexta e última fase. Algumas das estrelas estão a vista, mas outras ocultas e podem passar batidas se o jogador não for persistente em procurá-las.
O jogo tem alguns power-ups espalhados para auxiliar o jogador na sua luta contra os alienígenas ladrões de cadáver, como um relógio que pára o tempo ou um frasco que concede invencibilidade temporária. O mais importante dos itens que podem ser encontrados é a mochila voadora/ jet pack. Toda fase tem um e ao apanhá-lo ele ficará preso às costas do agente, que poderá voar em todas as direções. O jet pack não fica sem energia ou combustível, mas o jogador o perderá se levar algum tiro ou mesmo um esbarrão de algum inimigo, embora o jet pack fique no cenário e possa ser recuperado. Em cada estágio é necessário também recolher uma chave mágica que abre a porta de saída, deixada para trás pelo chefe da fase ao ser derrotado.
"Chave mágica? Isso não é um jogo de ficção científica? Um cartão de acesso ou algo assim faria mais sentido". Ora... estamos falando de um jogo de 8 bits dos anos 80... onde está seu romantismo, jovem gamer?

Comentário Final


"Quartet" é um jogo que alterna pontos fortes, como a boa jogabilidade, com fracos, como gráficos pouco dignos de nota. As fases tem um design até banal, além de serem também um tanto repetitivas, mas ainda assim são razoavelmente divertidas de se atravessar. A dificuldade também dá um salto considerável da 4o fase para a 5o fase, que pode pegar de surpresa ou causar frustração em alguns. No geral, "Quartet" é um jogo que, dentro de suas limitações, é capaz de divertir, desde que não se crie expectativas que ele não possa cumprir. É um título recomendado em especial para jogadores fãs de jogos de plataforma oldschool.

NOTA: 6,0

14 de ago. de 2018

"Tanglewood" chegou na Steam!


Hoje, 14 de agosto, "Tanglewood" finalmente chega à loja Steam! Um novo jogo para Mega Driveque mistura plataforma com puzzles e feito com recursos da época! 
Em termos de gráficos, o "Tanglewood" me lembrou bastante "The Jungle Book" e "The Lion King" para Mega Drive, mas com um estilo de jogo mais parecido com "Pocahontas". 
O jogo segue as aventuras e desventuras de Nymn, um animal que lembra uma raposa, em um mundo florestas alienígena com dois sóis, enquanto o bichinho tenta sobreviver aos perigos da noite após se separar de seu bando. Corra, pule, resolva puzzles e veja o sol raiar de novo.
Só achamos o preço meio salgado (R$34,99) mas levando em consideração todo o trabalho que o cara teve para trabalhar e programar com ferramentas de uns 20 anos atrás, até dá para reconsiderar- até porque não é um jogo curto... tem 28 estágios, divididos em 8 capítulos.
Nós do OSD torcemos pelo sucesso do jogo e que seus criadores lancem outros retrogames nessa mesma linha de 16 bits!

11 de ago. de 2018

Divagações Oldschool- Outro jogo antigo com outra capa terrível


Sou um grande fã de "Zillion"... até hoje é um dos meus animes favoritos, tendo assistido quando foi exibido na Globo em tempos remotos- aliás a Globo não exibiu a série toda, e por isso eu demorei mais de uma década até conseguir assistir todos os episódios! 
Mas deixemos isso de lado... a série rendeu frutos... teve um OVA (especial lançado diretamente para vídeo, falando em português claro) que se passa após a série e, como não podia deixar de ser, alguns jogos de videogame... dois jogos muito legais lançados para o Master System! Mais ou menos na mesma época que o anime era exibido na Globo (embora naquele tempo eu sequer imaginasse que o termo "anime" existisse), cheguei a jogar algumas partidas do primeiro "Zillion" na casa de um amigo. 
Um jogão para a época... no início deixou a gente meio perdido por ser não- linear, o que para a época era bem diferente da maioria dos títulos que jogávamos, mas aos trancos e barrancos conseguimos contornar a situação e, no fim das contas, era "Zillion"! A gente estava jogando com o J.J! E o jogo era bom mesmo... teve gente lá da rua que, mesmo não sendo ligado no desenho animado, gostou do game. Verdadeiro caso de não julgar um livro pela capa.
Como assim? 
É.. como posso dizer... não... melhor mostrar... dizem que uma imagem vale mais que mil palavras... Essa era a capa do jogo:


Falemos sério, deixando a nostalgia de lado... o que vem a ser isso? Tudo bem... as capas norte- americanas dos jogos do Master System, nas quais as brasileiras se baseavam, tinham um estilo bem minimalista mas, ainda assim, dava para você associar com algo do jogo... "Black Belt" tinha um pé chutando... não era lá uma grande capa, mas... fazia sentido... tinha a ver com o jogo... e isso aí na capa do "Zillion"? O que raios é esse troço? Por que diabos escolheram isso para ilustrar a capa? Queriam que o jogo fosse um fiasco de vendas? Porque, a menos que já se conhecesse o e gostasse do desenho animado, dificilmente alguém se sentiria estimulado a comprar ou alugar um jogo cuja capa parecia algo saído de um panfleto de uma loja de eletrodomésticos...
Realmente o pessoal das agências de marketing que faziam as capas dos produtos para as empresas de videogame da época tinha que ser estudado... Não sei dizer se eles pensavam fora da caixa em um nível extremamente elevado ou se eles sequer tinham a menor ideia do que estavam fazendo... a impressão que fica, pelo menos para mim, é que rolou uma cena assim;

CHEFE: Bom, bom... bem- vindo a empresa, rapaz. Aqui somos uma família e toda essa conversa fiada de sempre... mas deixa isso para lá e vamos falar de trabalho... olha, nós temos uma conta com uma empresa de videogame chamada Sega, na verdade com a filial dela aqui nos EUA... fazemos a arte das capas dos jogos que vão ser lançados aqui. Você costuma jogar videogame?
NOVATO: Não, senhor... não jogo não...
CHEFE: Entendo, eu também não mas... temos uma tonelada de capas de jogos para produzir... sei que é seu primeiro dia e tudo mais, mas como estamos com trabalho até o pescoço e o prazo é curto, vamos deixar uma dessas capas na tua mão. 
NOVATO: é... vamos lá... qual é o tal jogo?
CHEFE: É um jogo baseado em um desses desenhos esquisitos onde todo mundo tem uns olhos grandes... "Zillion", se me lembro bem... conhece?
NOVATO: Não... nunca assisti...
CHEFE: É de ficção científica... um pessoal que anda numas motos futuristas atirando com umas pistolas laser futuristas em uns sujeitos de outro planeta com cara de mímico de parque público. Consegue desenhar um sujeito atirando com uma pistola laser enquanto dirige uma moto esquisita por um cenário que parece ter sido bombardeado por uma bomba atômica?
NOVATO: Olha... não vou mentir não... não consigo desenhar isso não...
CHEFE: E um cara só dirigindo uma moto esquisita pelo cenário que parece terreno baldio contaminado por radiação?
NOVATO: Não... Não consigo...
CHEFE: OK... e só uma pistola laser? Teve um cara aqui que desenhou apenas um pé para a capa de um jogo de luta, então acho que só a pistola laser na capa não está mal!
NOVATO: Não sei desenhar isso não...
CHEFE: Aí a coisa começa a complicar... você tem alguma sugestão? Dê você uma ideia aí!
NOVATO: E se usassemos a capa original do jogo mesmo? A do Japão.
CHEFE: Ficou maluco, rapaz? E quem é que vai comprar um jogo com aqueles personagens de olho grande e nariz pequeno na capa!?
NOVATO: Isso é...
CHEFE: Vamos por partes... olha, me diz onde você trabalhava antes de vir para cá... eu sei que você é recém- formado, mas deve ter alguma experiência.
NOVATO: Eu fui estagiário numa agência que tinha uma conta de uma empresa de eletrodomésticos... eu desenhei uns aparelhos de microondas para um manual de instruções...
CHEFE: Microondas?
NOVATO: Microondas.
CHEFE: Perfeito!

Só pode ter sido isso... não tem outra explicação.. olha aquela capa de novo... é um microondas antigo, não tem como negar! E como acharam que isso seria o ideal para ilustrar a capa de um jogo de plataforma onde se atira em tudo que se mexe?
"Mas não é um microondas! É uma tela! É o monitor de algum computador", diria alguém (tem sempre alguém assim)... nossa, não me diga! É óbvio que eu sei disso, mas, ainda assim... por que? Tinham computadores no desenho? Tinha... mas eram cenário! O desenho era basicamente de ação! Quando aparecia algum monitor era por uma fração de segundos, mostrando um monte de caracteres sem sentido e alguém gritando que os Nozas (os inimigos alienígenas da série) estavam atacando. Ponto final. Tem computador no jogo? Tem... você até precisa achar uns cartões de acesso para entrar em algumas áreas, mas... vamos lá... seria a mesma coisa que escolher uma chave para ser a capa do jogo "Gauntlet" ou uma poção de cura para "Final Fantasy"... É um troço muito pouco representativo, até aleatório!
Teria sido realmente melhor deixarem a capa original... 


A capa é linda, com a mesma arte do desenho animado, naquele estilo de traço do início dos anos 80 que eu tanto gosto. Mas não... troca aí por um troço que parece ser usado para fazer pipoca e esquentar marmita...
A única explicação racional que consigo pensar é que rolou um jogo de analogia bem meia- boca... algo como "Esse desenho 'Zillion" é de ficção científica? É futurista? Isso lembra tecnologia... computadores são uma das coisas mais tecnológicas que tem... bota aí um monitor de computador na capa. É bem futurista". Se não foi isso então admito que foge a minha capacidade pensar em uma resposta.
Pelo menos na sequência do jogo, "Zillion II: The Tri-Formation Cycle", a capa é coerente com o jogo. Pode não ser lá uma grande capa, não é a oitava maravilha do mundo gamer... mas de fato é reconhecível e tem a ver o que se vai jogar:


Está um pouco estilizada demais, vamos dizer assim, mas... é "Zillion". Indubitavelmente, é "Zillion". Essa foi, aliás, uma das capas mais aceitáveis para Master System made in USA
E o jogo é legal também.

8 de ago. de 2018

Disney's Darkwing Duck


Houve um tempo em que se produziam animações bem desenhadas, com arte realmente bonita, bem feita e sem que todos os personagens parecessem desenhados com auxílio de uma régua. "Darkwing Duck" é dessa época, fazendo sucesso ao parodiar os antigos heróis pulp, como "O Sombra", filmes de espião, como os do "007", e quadrinhos antigos, como "The Spirit", com muito humor, aventura e ação meio pastelão. O herói dado a longos e rebuscados solilóquios introdutórios também estrelou um dos vários jogos lançados pela Capcom para o NES, o terror que voa na noite aterrissando nas lojas e locadoras em 1992.

História e Roteiro


Como era de praxe nos jogos Disney produzidos pela Capcom, o roteiro de "Disney's Darkwing Duck" se mantém fiel à linha do desenho animado de origem, sendo assim assim é até simples, mas funciona bem: a organização criminosa F.O.W.L põe em funcionamento um plano para dominar a cidade de St. Canard (como eles manteriam esse domínio a longo prazo, sem que forças federais viessem resolver a situação é algo que aparentemente não veio a cabeça de ninguém da F.O.WL) e Darkwing Duck é convocado pela S.H.U.S.H, uma organização voltada para combater a F.O.W.L,  para derrotar Bico-de-Aço e outros seis de seus piores inimigos, trazendo assim a paz e o sossego (não necessariamente nessa ordem) de volta a St. Canard.
Basicamente é isso.

Gráficos

Sim, ele repete isso muitas vezes...
Bons gráficos, não excepcionais, mas bons, ainda mais levando em consideração as limitações de hardware do NES. Todos os personagens são perfeitamente reconhecíveis para quem assistia a série na televisão, assim como boa parte dos cenários se encaixam certinho na estética criada para a versão animada.- algumas fases, como a da ponte, tem um colorido do mesmo tom mais escuro que a série animada usava quando a ação se passava à noite. Nem tudo é perfeito, entretanto, e na fase da cidade, onde se enfrenta o lobisomem como chefe, muitos dos edifícios e prédios tem uma aparência bem genérica e poderiam estar em qualquer jogo de aventura do NES.
Os sprites dos personagens, além de bem feitos, também são bem animados, se movendo de forma até bem fluida para um jogo de 8 bits, acima da média de outros jogos estilo plataforma da época. Destaque para quando Darkwing Duck se cobre com sua capa para proteger-se de projéteis atirados por inimigos. Ficou muito pulp
Outra coisa que gosto bastante é o mapa de escolha de fases, representando a cidade de St Canard a noite, com suas janelas iluminadas e sua baía sombria. É simples para os padrões de hoje, mas agrada quem é fã de pixel art.

Música e Efeitos Sonoros


As músicas do jogo são muito legais! A trilha sonora tem um toque de jazz que ajuda a criar um clima mais noir, de filme de detetive antigo, para embalar as peripécias  do pato da capa púrpura. A música do mapa é curtinha (não tem nem um minuto antes de ser repetida em looping) mas é muito bacana. Das músicas de fase gosto mais daquelas que tocam na fase da ponte, onde o chefe é o Patoringa, e na fase do Megavolt (o sujeito que parece uma ratazana magricela com uma tomada na cabeça). Uma versão dessas duas em piano ficaria uma beleza!
Quanto aos efeitos sonoros do jogo... eles apenas cumprem sua parte... não há muita coisa a mais para se dizer desse quesito.

Controles e Jogabilidade


Os controles respondem bem, de forma melhor e mais precisa que a média dos jogos de plataforma da época. O maior defeito da jogabilidade é que é preciso se pegar um pouco de prática para subir e descer de plataformas rapidamente, como na luta contra o Patoringa na fase da ponte, pois ao se apertar direcional para baixo + pulo não se aterrissa direto na plataforma de baixo! Darkwing Duck fica agarrado na parte inferior da plataforma de onde acabou de descer, e aí deve-se apertar apenas o direcional para baixo para que Darkwing Duck solte a plataforma e aí sim aterrissar na de baixo. Caso se aperte o botão de pulo ao estar pendurado, Darkwing Duck irá subir de novo na mesma plataforma de onde tentou descer! Realmente é meio chato e leva-se um tempinho para pegar o jeito, embora também não seja nada impossível.

Dificuldade

"Disney's Darwing Duck" não é um dos jogos plataforma mais difíceis da época. Tem um ou utro trecho mais enjoado ou um  pouco mais desgastante, mas no geral é um jogo com dificuldade equilibrada.
O jogador conta com vários power ups para ajudar na luta contra a F.O.W.L, como recargas de energia e de gás para a arma, além de existirem algumas vidas (que mais parecem um boneco de brinquedo do Darkwing Duck largado no chão) espalhadas pela fase. Também pode-se recolher diamantes e barras de ouro, que contam pontos e facilitam ganhar vidas extras devido a pontuação. Esses itens podem ser encontrados tanto espalhados pelas fases quanto derrubados por inimigos derrotados, sendo as vidas a única exceção, só podendo ser encontradas pelo cenário ou conseguidas pelo placar.
Os cientistas da S.H.U.S.H  criaram três tipos de armas de gás diferentes para facilitar a vida de Darkwing Duck, mas por alguma razão inextricável resolveram espalhar tudo pela cidade no lugar de entregar nas mãos do herói mascarado. Vai entender... Emfim... voltando às armas: Uma é uma explosão de gás mais forte que lança uma onda de choque pelo chão, nas duas direções. Outra é uma arma elétrica que dispara pequenos raios em duas direções diferentes, uma para o alto, a outra para baixo (mas o Darkwing Duck não usa uma arma de gás? Gás elétrico? A física permite isso?) e a última é uma flecha gasosa que ajuda o defensor de St. Canard a superar alguns obstáculos  e de quebra faz o jogador se perguntar que tipo de gás esses caras usam na arma afinal. 
Vale a pena deixar marcado que a arma- padrão de Darkwing Duck tem munição infinita, enquanto as outras três gastam o gás acumulado pelo jogador ao apanhar tanques de refil pela fase.

Comentário Final


Quer um jogo de plataforma bastante divertido e com alto fator de nostalgia? "Disney's Darkwing Duck" é uma boa pedida, tendo ainda a seu favor ser menos frustrante que outros jogos de 8 bits do gênero e as fases serem não lineares, podendo se escolher onde jogar primeiro, o que dá mais liberdade ao jogador, o qual começa com a opção de conhecer três estágios diferentes logo de cara. Pode não ser o personagem da Disney mais conhecido, nem o game Disney mais conhecido ou criativo, mas tem qualidades o suficiente para valer a pena conhecê-lo.
Afinal Darkwing Duck é a dor de cabeça na mente criminosa!

NOTA: 8,0

P.S:Uma curiosidade é que a palavra "Canard", presente no nome da cidade de Darkwing Duck, significa "pato" em francês, fazendo referência à espécie a qual pertencem a maioria dos seus habitantes, assim como Patópolis/ Duckburg.

7 de ago. de 2018

Dicas OSD- O golpe do aviãozinho de papel em "Comix Zone"


Dessa vez não é bem uma dica, mas como já esbarrei com alguns jogadores que desconheciam esse golpe, por que não uma postagem explicativa?
Lembra que em "Comix Zone" o cartunista Sketch Turner foi jogado dentro de sua própria história em quadrinhos? Bem o mundo do jogo é realmente uma tira em quadrinhos. Você pula o enquadramento para ir de uma tela para outra e volta e meia um inimigo são desenhados na tela na frente do desenhista-tornado-herói. Lembra que o ratinho Roadkill inclusive consegue rasgar a página em alguns momentos e achar itens escondidos? Sketch pode fazer o mesmo, mas no lugar de achar itens ele faz um aviãozinho de papel e o arremessa. Isso pode a primeira vista parecer só uma brincadeira ou detalhe cômico, mas não é bem assim.
Para fazer essa manobra, basta apertar e segurar o botão de SOCO por um tempo. Sketch vai segurar na página e fazer força até um pedaço dela rasgar. Com o pedaço ele faz uma gaivota e arremessa até o outro lado da tela, sendo que se atingir qualquer inimigo no caminho, ele vai receber um dano maciço. É de fato uma pancada e tanto, mas fique atento com duas coisas:
a) Ao chegar no fim da tela, a gaivota gira e volta. Se acertar Sketch, ele também recebe dano. Tome cuidado.
b) Fazer o aviãozinho de papel não sai de graça! Para cada aviãozinho feito, Sketch perde uma quantidade considerável da própria energia, devido ao esforço de conseguir rasgar a página com as mãos nuas. 
Se depois dessa perda de energia o cartunista ainda for golpeado pelo aviãozinho quando ele faz a curva e volta, é quase certo perder uma vida, então fique de olho!

Ou seja... use com moderação. Ou não... isso é só um jogo mesmo...

4 de ago. de 2018

(Mais) 10 Jogos Bizarros e Tétricos do NES

Um dos amigos do nosso blog comentou que para ele  o NES "ainda é um mar vasto de inúmeros jogos maravilhosos e bizarros". Achei uma ótima definição e, em homenagem a ele, lá vão  mais dez jogos de NES com um quê de insólito, bizarro ou surreal- ou tudo isso junto!
Lembramos que mais uma vez não vamos levar em consideração para a lista nenhum jogo não- licenciado oficialmente pela Nintendo, como por exemplo "Peek a Boo Poker" ou os outros jogos de tom erótico lançados pela Panesian.

11- Panic Restaurant



Seu restaurante está indo mal devido a concorrência? O que fazer? Inovar no cardápio? Melhorar a qualidade da comida? Não... Nada disso... faça um ritual de magia negra e amaldiçoe o restaurante rival. E o dono do lugar que se vire para expulsar os seres das trevas e objetos possuídos por maus espíritos a base de panelada- quer dizer, se for na versão norte- americana... na original japonesa o chef tem que botar ordem no restaurante distribuindo cabeçadas!

12-Abadox



Dentre as dúzias de SHMUPs lançados na época dos 8 e 16 bits, "Abadox" sem dúvida é um daqueles com cenário e visuais mais originais. Enquanto a maioria dos jogos de navezinha se passavam em ambientes espaciais ou mecanizados (como bases ou fortalezas estelares de tamanho planetário), "Abadox"' se passa em um ambiente mais... orgânico.
Basicamente o jogo se passa dentro do trato intestinal de um planeta vivo, Abadox (daí o nome do jogo! legal, não?) e deve-se salvar uma princesa engolida pelo planeta senciente antes dela ser... digerida...
Se não é o melhor ou mais destacado SHMUP da época, "Abadox" pelo menos é bastante único...

13- Superman


Uma versão fofinha ("chibi") do Superman recebe um aviso de uma versão genérica e igualmente fofinha da Estátua da Liberdade de que Metrópolis está em perigo (para variar).
Eu sempre soube que o Superman tem uma gama enorme de super-poderes, mas possuir uma super- esquizofrenia capaz de permitir conversar com pontos turísticos é nova para mim... 

14-  Yo! Noid


Uma gangue formada por lunáticos, animais descontrolados e correlatos liderada por um sujeito vestido em uma fantasia de coelho verde está tocando o caos em Nova York. Como prefeito de uma das maiores e mais populosas cidades dos EUA o que você faz? A única coisa sensata e cabível em uma situação dessas... chamar um cara vestido em uma fantasia de coelho vermelha para resolver a situação em troca de pizza. Sim, isso faz todo o sentido... tanto quanto derrotar seus inimigos em um jogo de cartas para ver quem come mais hamburgueres.

15-Dr. Chaos: Hell's Gate


Pior do que ter um cientista louco como inimigo é ter um como irmão, em especial quando o cara fica três meses sem dar notícia após contar ter desenvolvido uma tecnologia para abrir portais sabe-se lá para onde, sabe-se lá porque, e você tem que ir atrás dele.
Chegando na mansão isolada onde o irmão do protagonista provavelmente realizava suas experiências livre dos códigos de ética, conduta e segurança em pesquisa científica, o lugar está infestado de ratos, morcegos e monstros variados e ainda se descobre que o irmão cientista deixou portais abertos em tudo que é porta ou janela da casa, sabe-se lá por qual razão...
Realmente é dose ser o irmão mais novo, mais normal e intelectualmente menos dotado de um cientista doido de pedra.

16- River City Ransom


Nada mais normal do que entre uma briga e outra com uma gangue de rua do que parar para comer um sushizinho.

17- Startropics


"StarTropics" é um RPG que em termos de estranheza e esquisitice segue a mesma linha de "Mother": Um jovem (no caso um adolescente de 15 anos) acaba se deparando com uma situação esdrúxula ligada às pesquisas de um parente mais velho (nesse caso um tio arqueólogo) e incumbido por adultos de investigar e resolver a situação sozinho (no caso o misterioso desaparecimento do tio).
Ah, sim, claro... como adultos responsáveis eles não vão simplesmente mandar o guri resgatar o tio e caso encerrado... óbvio que não... eles dão um iô-iô mágico para o moleque e dizem para ele nunca perder de vista o Cruzeiro do Sul.
Adultos exemplares, indubitavelmente.

18- Kid Klown in Night Mayor World


Uma família de palhaços viajava a pé no meio de uma noite chuvosa para se apresentar na próxima cidade (pelo visto o ramo do entretenimento não andava lá muito bom), quando o mágico maligno Night Mayor (um trocadilho com "nightmare") surge do nada e pede a ajuda de Kidd Klown para abrir um cofre, ou baú, ou qualquer coisa do gênero. Como havia sido avisado por seus pais a respeito da malignidade do mágico, Kid Klown se nega a ajudar e ainda d[a um fora no cara. Provavelmente bem descontente com a resposta e comportamento geral de Kid Klown, Night Mayor faz a família inteira do garoto palhaço sumir e desafia o jovem a segui-lo em seu mundo de pesadelo caso queira ver seus pais e irmão mais novo de novo, e em seguida ele próprio desaparece, deixando para trás um palhacinho atônito e a grande pergunta... um mágico poderosos o suficiente para fazer pessoas desaparecerem não consegue abrir a droga de um baú sozinho?
"Kid Klown in Night Mayor World" é uma adaptação para o mercado ocidental (leia-se EUA) de um jogo japonês do Mickey Mouse, onde ele deve entrar nos pesadelos da Minnie para ajudá-la a despertar de um sono sem fim. Não sei qual dos dois casos é mais... singular...
Uma última coisa! Na cena de abertura do jogo, preste atenção na cara do palhaço- pai debaixo da chuva... é de dar dó!

19-  Toxic Crusade


Um jogo baseado em um desenho animado que era baseado em um filme da Troma. Acho que não preciso dizer mais nada.

20- Hatris


"Tetris"... com chapéus... feito pelo próprio criador de "Tetris", Alexey Pajitnov, possivelmente sob a influência de altas doses de vodka. Não consigo deixar de pensar que não tenha rolado uma cena assim:
EXECUTIVO DA NINTENDO: Alexey, "Tetris" é um sucesso de vendas! Você é o cara! Tem algum outro projeto em andamento? Tem?
ALEXEY PAJITNOV: Tenho... tenho um chamado "Hatris".
EXECUTIVO: "Hatris"... e do que se trata?
ALEXEY: É igual a "Tetris", mas com chapéus.
EXECUTIVO: Chapéus?
ALEXEY: Exato! Chapéus! Chapéus no lugar dos blocos coloridos!
EXECUTIVO: Alexey... Você está bêbado?
ALEXEY: Completamente!
EXECUTIVO: Olha, Alexey, esse lance dos chapéus...
ALEXEY: Coloquei aqueles chapéus pontudos de mágico no jogo também.
EXECUTIVO: Não diga mais nada! Perfeito!

E aí está! Mais dez! Lembramos mais uma vez que não é porque um jogo está na lista que estamos dizendo que ele é ruim ou algo parecido- na verdade tem até alguns na lista que gosto muito, como "River City Ransom" e "StarTropics"- e sim que eles tem um tom, ou pelo menos alguns detalhes, mais esdrúxulos que a maioria. Sem birra, certo? 

2 de ago. de 2018

Dicas OSD- Selecionando fases em "Aztec Adventure" do Master System


Está complicado levar Nino até o paraíso asteca (ou Nasca, se for a versão nipônica do jogo)? Ainda mais porque da 6o fase até a 9o, o jogo repete estágios- e como eu odiava isso nos jogos antigos! Bem... Existe um macete para selecionar a fase em que se quer começar o jogo e tornar a estrada dourada para o paraíso um pouco mais curta:

Depois que o pergaminho escrito "Aztec Adventure" se fechar aperte direcional para CIMA/ UP  cinco vezes (5X). Aperte o direcional para DIREITA três vezes (3X) depois que Nino arremessa os sacos de dinheiro nos outros personagens. Aperte direcional para ESQUERDA e depois direcional para BAIXO depois de TODOS os personagens andarem até o canto esquerdo da tela. A carinha de Nino vai aparecer próximo ao pergaminho "Aztec Adventure" que o código de entrada foi corretamente executado. Use o D-Pad/ botão direcional para selecionar o estágio, representado pelo número logo abaixo da face de Nino.

Pronto. 
Escolha a fase. Derrote os inimigos. Chegue ao Paraíso.


1 de ago. de 2018

5 Castlevania-clones oldschool que valem a pena ser jogados

Depois do sucesso de "Castlevania" da Konami outras empresas resolveram criar suas próprias noites horrendas em cenários góticos ou dantescos para desafiar os jogadores a vencê-las e assim ganhar um trocado nas pegadas dos Belmont. Como sempre acontece com "jogos clones", existem os bons, que apesar de serem clones tem seus próprios méritos, e os ruins, que matariam de vergonha os desenvolvedores do jogo clonado. Nós do OSD separamos cinco desses jogos para você vestir a capa de caçador de monstros e  enfrentar alguns pesadelos. 
Figurativamente falando, é claro. Não vista uma capa de verdade enquanto estiver jogando... isso seria estranho...

#1- Frankenstein: The Monster Returns (NES)


 Esse é o clone dos clones! Até um trecho de fase ou outro parece copiado e colado de "Castlevania"! Por outro lado, o jogo tem mais diálogos (inclusive com alguns inimigos) do que o "Castlevania" original jamais teve, além de fases com mais desdobramentos, como entrar em alguns edifícios ou descer aos esgotos. 
Quanto a história...  O jovem caçador de monstros deve salvar uma jovem, Emilly, de se tornar a noiva da criatura, destruir todo o exército sobrenatural conjurado pelo mesmo e destruir o monstro de uma vez por todas (não necessariamente nessa ordem). Aliás... a criatura não se chama Frankenstein! Esse é o nome do médico- cientista que o cria!
Outro detalhe desse jogo é que "Frankenstein: The Monster Returns" veio de uma empresa grande, a Bandai! Aquela dos Cavaleiros do Zodíaco, lembra?

#2-  Holy Diver (NES)


Você mistura "Castlevania", heavy metal e o vocalista Dio do "Black Sabbath" e que consegue? "Holy Diver"! A história do jogo parece que saiu de um encarte de um álbum de power metal ou metal melódico, envolvendo reinos mágicos atacados por lordes negros do subterrâneo e príncipes exilados em outra dimensão que retornam como reis mágicos para salvar o dia.
Infelizmente o jogo não foi lançado no ocidente na época, por uma série de razões nebulosas... problemas de direitos autorais? Excesso de uso de imagens e referências religiosas, que feriam a política da Nintendo of America de evitar isso? Vai se saber...

#3- Master of Darkness (Master System)


E quem disse que Drácula só fica com o traseiro sentado em seu castelo esperando algum Belmont chegar chutando a porta? Nessa (semi?) hidden gem do Master System o vampiro dos vampiros foi dar trabalho em Londres e agora cabe ao mais elegante caçador de monstros que já vi salvar a ilha de Sua Majestade- e munido de sua inseparável bengala, como todo cavalheiro vitoriano que se preze. 
Participação especial: Jack O Estripador!

#4- Rusty (PC, NEC- PC- 9801)



Pegar um jogo de sucesso (ou as vezes nem isso), mudar o protagonista original para uma beldade vestida de biquíni e botas, fazer o mesmo com o vilão do jogo original e depois lançar o título com uma arte de capa ressaltando os atributos da moça não era uma tática incomum no tempo de poucos bits... "Rusty", onde uma caçadora de vampiros tenta resolver o mistério do desaparecimento de várias moças a base de chicotadas castelos sombrios afora, é um exemplo disso. Nunca tendo sido lançado oficialmente  uma versão em inglês de "Rusty", o jogo tornou-se um cult e ganhou uma tradução não- oficial para o inglês feita por fãs- mesmo já tendo mais de 20 anos de idade!

#5- Majyuuou (SNES)


Um mistura de "Castlevania" com "Altered Beast", onde o herói do jogo pode se transformar em várias criaturas no decorrer das fases até conseguir a vingança pela morte de sua família contra o diabo no próprio Inferno! Um grande diferença tanto para a série "Castlevania" quanto para os outros clones é que "Majyuuou" se passa em tempos mais recentes e no lugar de um chicote ou espada, o protagonista começa armado com uma pistola! 
O jogo tem um dos enredos mais pesados do SNES e cenários bem sombrios e escatológicos, o que provavelmente colaborou para não ser lançado oficialmente no ocidente. Alguns fãs lançaram uma versão não-oficial com o nome, também não- oficial, de "King of Demons".

Terminamos por aqui. Vença a horrível noite e bom jogo!