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29 de ago. de 2020

10 jogos antigos para quem gosta de jogos de tabuleiros ou abstratos tradicionais

Acho que ainda não comentei aqui, mas também sou um grande fã de jogos tradicionais, tanto de tabuleiro quanto outras formas de jogos abstratos (inclusive recebi uns dias atrás meu tabuleiro de shogi, o xadrez japonês tradicional) e isso não vem de agora... eu era um dos pouco que gostavam dos jogos que a molecada da rua onde eu cresci, mais interessada em jogos de esporte, ação ou simuladores, apelidava de depreciativamente de "jogos de velho"

Na verdade acho que era o único... De qualquer forma, aqui vão dez jogos da época de poucos bits para todos aqueles que gostam de afiar a mente (ou seria queimar uns neurônios?) à frente de um tabuleiro!


1- Sega Chess (Master System)

Um jogo muito bom para quem gosta de xadrez, simples e surpreendentemente completo! O jogo tem duas formas de visualizar o tabuleiro (2 D e isonométrica), as jogadas aparecem anotadas no canto da tela, onze níveis de dificuldade e permite até que você refaça a jogada caso se arrependa do que acabou de fazer. Pode também pedir dicas e outras opções que considero menos interessantes (como trocar de lado no meio da partida, podendo passar a jogar com as pretas quando você comelou com as brancas ou vice-versa).

A interface é bem fácil de lidar. Os gráficos são legais e tem até uma aberturazinha de jogo com temática medieval!

Para mim, um dos melhores jogos de xadrez em 8 bits- na verdade o segundo melhor!

2- The Chessmaster (NES)



Esse é o melhor jogo de xadrez de 8 bits na minha opinião. "The Chessmaster" é a adaptação para Nintendinho da famosa franquia para PC que tem o mago velho de barba branca jogando xadrez na capa. "The Chessmaster" vai além de ser mero entretenimento casual, sendo uma boa ferramenta para melhorar sua habilidade no xadrez. "Battle Chess" era mais popular devido às animações das peças derrotando umas às outras, mas The Chessmaster" como jogo de xadrez tem mais qualidade.

Só para constar... acho as capas dessa franquia de jogos muito maneiras!

3- Othello (NES)



O jogo onde se deve cercar as peças do seu adversáro e assim trocar a cor dela para a sua. O maior problema desse jogo é que é muito difícil vencer o computador! Difícil de verdade!

4- Gomoku Narabe Renju (NES)



Um dos jogos de tabuleiro mais apreciados no Japão e o favorito do manda-chuva da Nintendo, Hiroshi Yamauchi. Que eu saiba, só existe em japonês, então é melhor aprender as regras em outro lugar primeiro!

5- Shanghai (Master System)



Muitas pessoas chamam esse jogo de mahjong, mas na verdade não é mahjong- apenas usa as peças de mahjong. "Shanghai" é um jogo solitário onde você deve achar duas peças iguais e fazê-las sumir, enquanto o mahjong original lembra um jogo de baralho para quatro pessoas.
Esse tipo de jogo também é conhecido como "Mahjong Solitaire" e devido a imensa quantidade de jogos gratuitos que existem para jogar on line ou em celular acaba que muitas pessoas no Brasil sequer sabem da existência do mahjong original, pensando que "Shanghai"/ "Mahjong Solitaire" seja a única versão que existe.
Independente disso e de qualquer outra coisa, é um jogo muito divertido, e, para mim, o "Shangai"  de Master System é melhor do que a esmagadora maioria dos aplicativos ou versões on line atualmente existentes. E não é por causa da animação do dragão não! 
Aliás... faltou falar que gosto muito da música desse "Shangai" do Master.

6- Mahjong (NES)



Esse sim é o mahjong verdadeiro! E como Mahjiong precisa de quatro jogadores para ser corretamente jogado, poder jogar contra o computador nesse cartucho é uma boa opção para quem quer conhecer o jogo mas não consegue achar pessoas para jogar.
Mais uma vez, acho que nunca foi lançado no ocidemte e só tem em japonês. Melhor aprender as regras na internet primeiro antes de jogar essa versão do NES.

7- Habu Meijin no Omoshiro Shogi (SNES)


Versão para videogame 16 bits de shogi, o xadrez japones. O objetvo é capturar o rei adversário. Tem peças bem diferentes do xarez ocidental, como o general de ouro e o lanceiro (também chamado de lança).
Existe também uma versão de shogi para o Nintendinho, Famicom Shogi: Ryuu-ou-Sen. Que eu saiba, ambos os jogos infelizmente só foram lançados no Japão.



8- Backgammon (Atari 2600)


Uma versão bem básica do jogo dos reis. Estranhamente nunca achei uma versão de gamão para NES ou Master.

9-  Tiles of Fate (NES)


Outro jogo de puzzle solitário que usa as peças de mahjong. É um jogo de shisensho (também conhecido como rivers) com uma cosmética temática de guerra de conquista na China Antiga, somado a alguns power- ups para dar uma incrementada na partida. É um jogo de puzzle muito divertido e já falamos dele algumas vezes aqui no blog.

10- Battle Chess II: Chinese Chess (PC) 



Uma versão do xadrez chinês para PC, segundo jogo da franquia "Battle Chess", onde as peças são representadas por personagens que lutam comicamente quando ocorre uma captura. Atenção! Esse não é aquele jogo com o tabuleiro em forma de estrela erroneamente chamado de xadrez chinês!
É o Xiangqi, o verdadeiro xadrez chinês, com peças como o elefante, o canhão e a carroça. O Objetivo é dar xeque-mate no general (a peça que em xiangqi é equivalente ao rei no xadrez tradicional).
"Battle Chess II: Chinese Chess" é uma boa forma de aprender xiangqi, jogo tão pouco difundido aqui no Brasil. O game destaca-se pelos gráficos bonitos  e divertidos. Ah... e também dá para jogar on line e está disponível na loja Steam! 



"Mas e aquele outro jogo que todo mundo chama de xadrez chinês?"
Aquele do tabuleiro em forma de estrela sequer é um jogo chinês... em mesmo é oriental. É uma variante (bem divertida, diga-se de passagem) de um jogo de tabuleiro europeu chamado halma, sendo halma estrela o nome mais acurado do jogo de tabuleiro estrelado. Também é conhecido como Damas Chinesas, mas esse nome é igualmente equivocado equivocado. O jogo foi chamado de xadrez chinês apenas por marketing, tentando-se  dar um toque mais "exótico" para alavancar as vendas.
 
Acho que já tem o suficiente para s aficcionados por tabuleiro. Ah... Eu sei que ninguém perguntou, mas meu tabuleiro de xiangqi deve chegar da China chegar em mais ou menos um mês. Estou ansioso! 
Tudo bem, eu realmente sei que ninguém perguntou... 

16 de jun. de 2018

Realms of Chaos


Ao contrário dos consoles domésticos, plataforma nunca foi um estilo de grande destaquenos computadores, acabando ofuscado pelas miríades de jogos point-and-click, first-person shooter (FPS) ou estratégia. Isso não significa que não houve bons títulos desse gênero lançados para essa plataforma... "Prince of Persia",  "Claw", "Oddworld: Abe's Odissey" e "Pandemonium" estão aí para provar- e isso sem contar um bom punhado de jogos bons, ou apenas "mais-ou-menos", hoje esquecidos (ou quase).
Boa parte desses jogos semi- esquecidos dos anos 80 e 90 saíram das mãos da Apogee, como "Realms of Chaos", um jogo de aventura em um mundo de fantasia medieval que parece saído das histórias de Conan, o Bárbaro e dividido em três capítulos- o primeiro distribuído como shareware- lançado em 1994.

História e Roteiro


O jogo possui um típico roteiro de "heróis contra o caos que se espalha", mas com um ar que se aproxima mais do sword-and-sorcery (espada-e-feitiçaria, em tradução livre) das antigas revistas pulp onde Robert E. Howard pubicava do que de da high fantasy/ alta fantasia de J.R.R Tolkien.
Em "Realms of Chaos", uma sombra misteriosa surge sobre o mundo de Mysteria e seus habitantes começam a se transformar em bestas agressivas, prontas para derramar sangue (não necessariamente nessa ordem), isso ocorrendo até em reinos outrora aliados dos humanos, como a terra do povo gato, Mryaal, e o reino subterrâneo dos goblins. 
Como desgraça pouca é bobagem, tudo fica ainda pior quando uma raça desconhecida e violenta ataca o reino dos Homens, sendo rechaçada com dificuldade, embora tenha ficado claro que outro ataque era apenas questão de tempo (as coisas nunca são fáceis para reinos humanos em mundos de fantasia medieval).
Dois heróicos irmãos, o guerreiro Endrick e a feiticeira Elandra, partem em uma jornada pelos reinos para descobrira causa de tudo e salvar seu mundo da negra sombra que o engolfa. 
Isso soou tão épico, não?

Gráficos


Os gráficos são muito bons para um jogo de 1994. Os cenários são bastante detalhados, com algumas coisas bem legais, como o reflexo das plantas e árvores na água da fase do pântano ou as silhuetas de montanhas e árvores vistas ao longe contra o céu.
Os sprites dos heróis são austeros, como bem cabe a uma dupla de aventureiros mercenários, mas bem-feitos, dando para se ver inclusive os olhos de Endrick e Elandra. Os sprites dos inimigos, em especial dos chefes de fase, são bem legais de se ver- gosto em especial dos guerreiros  do povo gato usando capas que aparecem no primeiro capítulo do jogo. A grande exceção seria para o sapo gigante da fase do pântano... não é tão ruim assim, mas se parece mais um bicho de pelúcia mal feito do que com uma criatura monstruosa de um charco esquecido...
O ponto fraco dos gráficos de "Realms of Chaos" é a animação e movimentação dos personagem, um tanto travada e engessada, pouco fluida até em comparação com vários jogos do Mega Drive e do SNES daquela época. Não é algo que chega a estragar o jogo, mas podia ser melhor.

Música e Efeitos Sonoros

As músicas variam de medianas a boas. Gosto mais da trilha sonora do terceiro capítulo, "Foray Into Fire", as quais tem um tom levemente gótico. 
Os efeitos sonoros para a época eram de impressionar, mas hoje estão obviamente envelhecidos. Alguns ainda são legais, como o som do golpe da espada de Endrick, e a maioria não chega a incomodar, mas... o grito na tela de abertura, ao se apertar o botão para chamar o menu, provavelmente provocará risos em jogadores mais novos- e nos mais velhos também. 
Pelo menos eu ri...

Controles e Jogabilidade


A jogabilidade tem pontos altos e baixos. O ponto baixo é que é um jogo da primeira metade dos anos 90, logo em alguns momentos a resposta dos controles pode não ser tão afinada, e aquele salto fácil acabar te mandando para o fundo de um abismo. Isso era mais um problema da época do que desse jogo em especial, e até que em "Realms of Chaos" isso ocorre com bem pouca frequência.
O ponto alto da jogabilidade é aquilo que coloca "Realms of Chaos" um degrau acima dos típicos jogos de plataforma com heróis medievais da época... é possível trocar de personagem em qualquer momento do jogo, alternando entre o guerreiro, cujo ataque faz mais dano e tem mais energia, e a feiticeira, que ataca a longa distância e em mais direções  (cuidado! os ataques de Elandra consomem cristais e ela não tem outros ataques além da magia!) e também salta mais alto. Dependendo do trecho da fase em que se estiver, você precisará usar um ou outro para poder prosseguir, o que deixa o jogo mais dinâmico e interessante.


Dificuldade


Ainda mais se considerarmos a média da época em que foi lançado, "Realms of Chaos" não é um jogo dos mais difíceis. Tem alguns pontos com um salto mais enjoado de se fazer; outros com um pouco de tentativa e erro; os power- ups do jogo não fazem lá muita diferença e alguns dos secrets/ segredos (geralmente aposentos ou locais escondidos com itens ou cristais) são meio chatos de se encontrar, mas, no geral, nada demais. A curva de dificuldade só sobe de forma um pouco mais abrupta nos chefes de fase... os chefes, em termos de dificuldade, são desproporcionais ao resto do jogo, mas é só o caso de pegar o jeito de cada um. Se você jogou jogos jogos de séries como "Shinobi" ou "Ninja Gaiden" já viu coisa pior.

Comentário Final


Você gosta de jogos de plataforma? E de fantasia Medieval? Das duas coisas? Então jogue. Poderá não ser a coisa mais marcante ou extraordinária que você já jogou, mas é um bom jogo e você vai se divertir. Se você não curte essas duas coisas especificamente, mas gosta de ação, "Realms of Chaos" poderá te distrair por algum tempo, desde que você não o julgue pelos padrões de jogos de ação atuais, muito mais velozes e com ritmo bem mais rápido. Se essas forem suas prioridades... o que posso dizer é que esse é um jogo bem old school com mais de 20 anos, e talvez seja melhor você buscar algo mais novo.

NOTA: 7,0

P.S: "Realms of Chaos" se encontra disponível para compra tanto na loja Steam quanto na GOG. Comprei o meu um tempo atrás durante uma promoção.

12 de jun. de 2018

Dragonsphere


Atualmente jogos point-and-click em geral estão saindo pelas mãos de pequenas desenvolvedoras indie, mas nos anos 90 esse foi um dos tipos de jogo para computador mais destacados e populares, com grandes empresas lançando títulos desse estilo no mercado... a lista é imensa... "The Secret of Monkey Island" *; "Alone in the Dark"; "Maniac Mansion"; "Phastasmagoria"; "Sam & Max Hit the Road"; "Grim Fandango"; "The Dig"; "The X- Files Game"; "Full Throttle"; "King's Quest V: Absence makes the Heart goes yonder"... Dá para ficar o dia inteiro nisso...
Em um gênero com tantos títulos, é praticamente inevitável que alguns tenham recebido menos atenção que o merecido. Foi o caso de "Dragonsphere" lançado pela fabulosa MicroProse, estúdio que teve entre seus fundadores o próprio Sid Meier, em 1994. Embora não tenha sido um fiasco, "Dragonsphere" acabou caindo na seara dos jogos cult, conhecidos por um público limitado porém fiel.

História e Roteiro



Gosta de fantasia medieval? Gosta de contos de fada? O roteiro "Dragonsphere" é basicamente um romance de fantasia medieval, com alguns toques de contos de fada aqui e ali, feito sob medida para você. 
A história se passa no reino de Gran Callahach, habitado por várias raças como fadas e metamorfos mas dominado principalmente pelos "fair" (humanos). De tempos em tempos, um feiticeiro malévolo de outro mundo, Sanwe, surge no reino e exige um pesado tributo em colheitas, gado e riquezas (aparentemente até velhos feiticeiros malignos tem que comer), caso contrário Gran Callahach conheceria a extensão de seu poder da pior forma possível, até que, 20 anos antes do início do jogo, o rei de Gran Callahach, com a ajuda do velho mago da corte Ner- Tom,  consegue aprisionar Sanwe dentro de sua fortaleza atrás de barreiras mágicas. 
O feiticeiro Sanwe jura vingança mas não sobre o rei e sim sobre seu filho, o jovem príncipe Callash, que na época contava apenas com 13 anos. O mago Ner- Tom cria um artefato mágico para vigiar Sanwe- uma esfera de cristal com um dragão em seu interior. A esfera representa a barreira mágica e o dragão, o próprio feiticeiro maligno. Quando a esfera começar a rachar e o dragão em seu interior se mover, é que a libertação do bruxo é iminente.
Com a morte de seu pai, Callash agora é coroado rei, e (como tinha que ser) pequenas rachaduras começam a aparecer na esfera de cristal. Agora o recém- empossado rei deve viajar por todo canto do reino e achar uma maneira de deter o feiticeiro Sanwe e sua vingança.
Apesar de alguns poderem apontar uma, à primeira vista, limitada criatividade para o roteiro, a história é bem costurada, além de contar com algumas boas surpresas no correr da trama. 

Gráficos



Para a época em que foi lançado, os gráficos de "Dragonsphere" eram realmente bons, de ponta. O tempo cobrou seu preço? Sim, mesmo que dessa vez não tenha sido um preço tão alto assim. 
Os cenários ainda são bonitos, mesmo que passem longe de serem HD. Quanto aos personagens, sua animação e movimentação ainda são bem fluidas, embora a aparência esteja um tanto baça, não muito bem definida, para os padrões de hoje, em especial no rosto/ face dos personagens. Apesar do leve "serrilhado" visível, todos os personagens são reconhecíveis e bem diferentes entre si, sendo o sprite do rei Callash obviamente o que recebeu mais atenção.

Música e Efeitos Sonoros

A trilha sonora de "Draonsphere" é bem adequada para um jogo de ambientação de fantasia medieval. É um trabalho competente, razoável, mas não marcante. Na verdade, o principal defeito a ser apontado na trilha sonora é a semelhança que a maioria das músicas tem entre si. Eu escolheria como minha favorita a música do menu inicial, que tem um tom capa-e-espada mas mais sombrio.
Os efeitos sonoros não engrandecem nem atrapalham o jogo. São o esperado, sem nada de especial. O ponto fraco é que a atuação de alguns dos atores que emprestam suas vozes aos personagens é bem típica de ator ruim, bem canastrona mesmo. A mãe e a esposa do rei, por exemplo,  não parecem estar cientes da tensão da situação, com vozes pouco expressivas. O próprio rei Callash em geral se expressa em um tom monocórdio, beirando o inexpressivo. As vezes parece que os atores que fizeram o trabalho de dublagem simplesmente leram as falas no papel que lhes foi entregue, sem de fato tentar entrar no clima da história.

Controles e Jogabilidade



Como é um jogo de point-and-click, o jogo possui um ritmo mais lento, não demandando muito do quesito jogabilidade. Os controles respondem bem e basicamente são dados através do mouse,  direcionando a seta para o ponto desejado e clicando para selecionar pessoas ou objetos no cenário com os quais se quer interagir, usando as ações pré- definidas em uma lista no canto inferior esquerdo (Look. Talk to, Take, etc). 
Se você não está acostumado com esse tipo de jogo, aconselho ler o manual de "Dragonsphere" antes de jogar, pois este é bem didático. Caso contrário... vá em frente e jogue. Não há nada de estranho aqui para alguém já familiarizado com esse gênero.

Dificuldade

"Dragonsphere" não é um jogo grande mas, de fato, possui alguns trechos bem chatos, até mesmo frustrantes, que vão tomar um bom tempo do jogador ( como passar pelos guardiões do labirinto na cena das sprites). Jogos point-and-click em geral tinham pelo menos alguns puzzles mais complicados ou custosos de se resolver, e "Dragonsphere" não é exceção. Em termos gerais, a dificuldade de "Dragonsphere" está na média dos títulos de point-and-click dos anos 90- o que não significa que seja fácil!

Comentário Final


"Dragonsphere" não é o que foi produzido de mais excepcional em seu gênero naquela época, mas é um jogo bem feito e divertido, que merecia um pouco mais de reconhecimento nem que fosse apenas entre os fãs desse estilo específico. Se você gosta de jogos point-and-click, "Dragonsphere" tem tudo para te agradar. Se você não é lá muito próximo desse gênero, mas gosta de fantasia medieval, a história do jogo pode te prender, então vale a pena dar uma chance. Lembre-se... em um trecho ou outro, paciência é um pré- requisito.

NOTA: 7,0


* Observação 1: "The Secret of Monkey Island" já recebeu um review aqui no blog. Para conferir é só clicar no link: https://oldschooldigger.blogspot.com/2016/03/the-secret-of-monkey-island.html

* Observação 2: "Dragonsphere" está disponível para compra tanto na loja Steam quanto na GOG. Originalmente foi liberado gratuitamente na GOG, juntamente com outros jogos como "Teenagent" e "Lure of the Temptress", mas atualmente é um título pago.
E eu recebi o jogo gratuitamente na época que me cadastrei na GOG ( hehehe... lero-lero... lero-lero).

2 de dez. de 2016

Shadowgrounds


No mundo dos videogames não é raro que aquele que acaba salvando o dia não tenha uma profissão assim tão... épica. Obviamente cavaleiros, ninjas e soldados de forças especiais tem sua cota no mundo do jogos, mas no fim das contas dois dos heróis mais famosos de todos são uma dupla de encanadores. E não só encanadores- entregadores de jornal, cozinheiros, estudantes com uniforme de marinheiro, astros de música pop e garotos cabeludos que não deveriam estar segurando uma espada... todos já tiveram seu dia de herói. 
Lançado em 2006 pela Frozenbytes e protagonizado pelo mecânico Wesley Tyler, o top- down shooter  "Shadowgrounds" é mais um bom exemplo desses jogos com um "herói improvável".

História e Roteiro



Wesley Tyler é um lacônico mecânico que trabalha para a poderosa IGTO, corporação que administra a colônia terrestre em Ganimedes, uma das luas de Júpiter. Depois de alguns atritos com superiores e receber a culpa por algo que não lhe cabia, Tyler é rebaixado e amarga uma dura posição subalterna, o que explica o cinismo com o qual recebe o documentário repleto de marketing institucional produzido pela própria corporação sobre a história da colônia.
Durante uma falta de energia, Tyler recebe ordens de seu não muito gentil superior para ir com a equipe que procederá com os reparos nos geradores reservas. Durante a missão aparentemente rotineira, Tyler e seu grupo são atacados por formas de vida desconhecidas, possivelmente alienígenas. 
A partir daí Wesley Tyler vai ter que lutar para permanecer vivo em meio ao caos que reina em Ganimedes, ao mesmo tempo que tenta descobrir o que está acontecendo na colônia, quem são os alienígenas e o porque dos ataques.

Gráficos



"Shadowgrounds" possui gráficos bastante razoáveis, bem desenhados e nítidos, embora possam ser considerados já um pouco defasados para a época que o jogo foi lançado. Tanto o sprite do protagonistas quanto dos coadjuvantes e dos inimigos são bem feitos, alguns inimigos em especial tendo um design bem legal, lembrando tanto a franquia "Aliens" quanto dos jogos da série "Doom".
Os cenários são cheios de sombras e bem detalhados, e em alguns momentos fica visível um leve grau de degradação, típico de corporações cuja gestão tem mais marketing do que competência. A penumbra marca a maior parte do jogo e isso colabora bastante para criar um clima de sobrevivência desesperada. Acredito que alguns jogadores possam reclamar da relativa pouca variedade de cenários, os quais na maior parte do jogo são diferentes instalações da colônia e o  terreno com cara de filme de ficção científica ao redor delas.
O maior defeito nesse quesito é a animação dos personagens humanos. Tanto o protagonista quanto os vários coadjuvantes movem-se de forma mecanizada, meio desconjuntada e pouco fluida. Não é algo que estrague o jogo de fato, mas em alguns momentos parece que se controla um marionete munido de lança-chamas.

Música e Efeitos Sonoros

Bons, em ambos os casos. A trilha sonora de "Shadowgrounds" é bem variada e tem algumas músicas bem legais, puxadas para o heavy metal, nos momentos de maior ação- essas são, aliás, as que considero as melhores músicas do jogo! As faixas são bem compostas e encaixam bem com o todo, sejam com os gráficos, seja com a trama, seja com o ritmo de jogo.
Os efeitos sonoros estão um de grau abaixo da música, mas não comprometem. Os efeitos sonoros dos tiros das armas, os gritos, chiados e grunhidos das criaturas e demais ruídos de portas se abrindo e maquinário funcionando dão conta do recado, mas as vozes dos personagens nas cutscenes é apenas passável, em especial devido a interpretação pouco inspirada dos dubladores.

Controles e Jogabilidade

O jogo uma uma combinação de teclado + mouse para controlar o personagem durantes as fases, vistas em terceira pessoa. Você se move, escolhe armamento, interage com o cenário e liga a lanterna  que Tyler carrega presa ao ombro pelo teclado e com o mouse você dispara a arma. No começo é um pouco confuso mas não demora para se pegar o jeito.
No geral a jogabilidade é fluida, salvo um ou outro momento, o que não chega a surpreender em um jogo de computador já contando com uma década de existência. Sem maiores comentários aqui.

Dificuldade

Em termos de dificuldade, "Shadowgrounds" é um jogo bem equilibrado. Não é difícil demais a ponto de ser frustrante, não é fácil demais a ponto de ser monótono. Os desenvolvedores pesaram bem as porções de desafio e diversão do jogo, só errando um pouco a mão em um chefe específico em um pedaço já avançado do jogo, o qual acaba sendo bem mais complicado de lidar que todos os outros anteriormente enfrentados. 
Algo interessante é que o jogo conta com algo semelhante a "vidas". Se você morrer cinco vezes na mesma fase, GAME OVER. Terá que começar a fase (não o jogo) desde o início.

Comentário Final



"Shadowgrounds" pode não ser um daqueles jogo que marcaram sua época, mas é de fato um jogo bastante divertido. Em muitos sentidos lembra bastante o clássico "Alien Syndrome" (NES e Mastes System) e conta com muita ação, um protagonista carismático apesar de ranzinza, uma boa variedade de armas com diferentes potenciais de destruição e alienígenas com cara de que vão de fato te cortar ao meio se você não acabar com eles primeiro. Tem um ou outro senão, mas nada que estrague a diversão, ainda mais quando se leva em consideração que até quatro jogadores podem jogar simultaneamente.

NOTA: 8,5

* P.S1: "Shadowgrounds" e também sua continuação, "Shadowgrounds: Survivor", encontram-se disponíveis para compra na loja virtual Steam.














12 de jan. de 2016

"The Curse of Issyos", de Locomalito, lançado!


"The Curse of Issyos" é um projeto do desenvolvedor de jogos independente Locomalito, da Espanha. Locomalito se destaca por criar retro-jogos, ou jogos novos porém ao estilo retrô, old-school, em especial nos estilos 8 e 16 bits. Nas palavras do próprio Locomalito, "new old video games".

O projeto foi iniciado em 2010, mas ficou em suspenso durante anos, até ser retomado em fins de 2014 e finalmente lançado em 15/ 12/2015. A espera valeu a pena e o jogo é ótimo!

"The Curse of Issyos" é um jogo de aventura/ ação estilo plataforma, com ar de jogo de 8 bits. Se você gostava de jogar "Rastan", "Kenseiden" ou "Shinobi" do Master System e "Rygar", "Castlevania", "Ninja Gaiden" do NES, ou qualquer outro  jogo nesse estilo (como os menos cotados "Werewolf- The Last Warrior" e "Frankenstein: The Monster Returns" do NES), então esse jogo com certeza é para você.

Em "The Curse of Issyos" você jogará com um humilde pescador chamado Defkalion que devido as circunstâncias deve se tornar um guerreiro e resgatar sua filha ilha de Issyus, outrora seu lar e agora amaldiçoado pelos deuses do Olimpo. Avisado por Atena enquanto pescava, Defkalion retorna e agora deve enfrentar uma miríade de monstros saídos da mitologia grega para salvar a vida de sua amada filha.

O jogo é gratuito e o download pode ser feito no link abaixo. Também está disponibilizado para download o manual do jogo e posters em PDF e outras coisas. Vale lembrar que embora o jogo seja gratuito, doações para o desenvolvedor são uma forma justa de agradecimento e reconhecimento, além de ajudar o desenvolvimento de novos jogos.

http://www.locomalito.com/curse_of_issyos.php


EM BREVE UM REVIEW COMPLETO DO JOGO AQUI NO OLDSCHOOL DIGGER!


* P.S : Link do trailer de "The Curse of Issyos" no Vimeo,  om apresentação e cenas do jogo, para quem quiser ver e também ajudar a  divulgar:

https://vimeo.com/148267752

* P.S 2: Todos os jogos do Locomalito disponíveis para download são altamente recomendados, mas dois dos meus favoritos foram "Maldita Castilla" (jogo estilo "Ghouls & Ghosts") e  "l'Abbaye des Morts" (um jogo plataforma que lembra jogos de plataformas bem antigas como Spectrum ZX).

21 de mar. de 2014

Startopia


   Qual seria o resultado lógico da expansão humana pelo espaço sideral? Um tremendo quebra-pau envolvendo toda e qualquer espécie senciente encontrada, obviamente! E depois desse rolo de proporções literalmente cósmicas, como a coisa fica?
   Bem, o cenário encarado pelos sobreviventes não é lá muito animador... a maioria dos planetas onde ainda tem alguém vivo é frio, pequeno,distante, ou qualquer outra coisa pejorativa do gênero, e das outrora altivas estações espaciais sobraram poucas, as quais, na melhor das hipóteses, em um estado que não é lá muito melhor do que cascos danificados.
   Obviamente não seria uma  mera experiência de quase extinção que levaria as raças mais evoluídas do cosmo a tomarem vergonha na cara e passarem a cooperar umas com as outras, não é? Óbvio que não! Pelo contrário! As mais diversas corporações e conglomerados se lançam ao espaço para ocupar as antigas estações, cada uma com seu próprio objetivo e sem o menor escrúpulo de, caso julguem necessário, pegar em armas para garanti-los, pode ter certeza. 
   Lançado em 2001 pela Eidos Interactive e pela Mucky Foot Productions, "Startopia" é um jogo que reúne elementos de estratégia, simulação e gerenciamento de tempo & recursos, em um cenário  caoticamente bem-humorado no melhor estilo Douglas Adams- aliás o jogo foi dedicado a ele! Não sabe quem é Douglas Adams? Basicamente foi ele que revelou a grande importância de uma toalha e descobriu o sentido da vida, do universo e tudo mais.
   Que é 42, aliás.