No mundo dos videogames, injustiças também
ocorrem. Não é raro acontecer de jogos muito legais passarem quase
despercebidos em sua época e serem relegados ao quase esquecimento. “Little Samson” ( “Seirei Densetsu Lickle”, ou simplesmente "Lickle", no original em japonês) é um típico caso de jogo muito legal desconhecido pela
maioria dos jogadores.
A primeira vez que tive contato com esse jogo
foi quando li sobre ele em uma revista de videogame. O jogo me chamou a atenção
no ato, em especial porque tinha vários personagens diferentes para jogar (adoro jogos em que você tem vários
personagens para jogar. E quem não gosta, afinal? Você gosta também...
admita...). Demorou um pouco, mas consegui jogar “Little Samson” e não me
decepcionei. Gráficos bacanas, muito bons para as limitações de um console de 8 bits, música
divertida, história legal e personagens carismáticos. Realmente um dos melhores jogos do tipo AVENTURA/PLATAFORMA que
joguei- e não foram poucos.
Lançado pela Taito para
o NES em1992, “Little Sansom” chegou já no fim da vida comercial
do NES. Esse lançamento tardio, quando já existia o SNES e o Mega Drive
embalados a todo vapor e se digladiando de forma feroz , foi o fator principal
que levou o jogo não ter vendido muito na época e ter recebido pouco
reconhecimento. Um ótimo jogo, lançado no momento errado. Péssimo timing. Às
vezes acontece...
Atualmente,
“Little Sansom” tem um status de “Jogo Cult” e um cartucho original custa uma
pequena fortuna, em sites como Ebay
História e roteiro
A história é bem tradicional, sem nenhuma
grande inovação, mas encaixou bem no clima do jogo: Um grande perigo retorna para ameaçar o
Império de Forgy (“Imperial Forgy”). O selo mágico que mantinha Ta-Keed, o
príncipe das trevas, aprisionado foi destruído por uma violenta tempestade de
raios e agora Ta-Keed reúne suas forças para ter sua vingança por tantos anos
de aprisionamento.
O
Imperador Hans decide pedir ajuda para os quatro Portadores dos Sinos do Poder
(“Majestic Bells of Power”). Um pombo correio é enviado a cada um deles,
pedindo para que se dirigissem a capital do Império e dar início a luta contra
o maléfico Ta-Keed.
Um ponto
bastante interessante é que o jogo não possui diálogos escritos. A história é
contada toda através das cenas e expressões dos personagens, um pequeno
diferencial bastante simpático do jogo.
→Little Samson (Lickle no original japonês):
O protagonista do jogo, um jovem aventureiro com cabelos arrepiados e roupas
verdes. Samson é rápido, salta bem, tem boa resistência e ataca os inimigos com
projéteis mágicos disparados por seu sino mágico, o qual também serve para
transportar seus amigos quando eles não estão em batalha. Tem também a
habilidade de escalar paredes e tetos.
Para segurar em uma parede ou teto, aperte Para
Cima no Controle (ou Para o Lado) e aperte “A” ao encostar na parede ou teto. A
partir daí use Esquerda ou Direita para se movimentar. Aperte “A” de novo para
soltar dos muros.
→Kikira, o Dragão: Um filhote de dragão
fêmea. Kikira cospe bolas de fogo (que ficam mais poderosas se você segurar o
botão de ataque por algum tempo. Quanto mais tempo você segurar, mais forte é o
ataque). Kikira também é capaz de voar por um curto período de tempo apertando
seguidamente o botão de pulo enquanto no ar (Atenção! Ela cansa rápido!). Uma
curiosidade é que inicialmente Kikira demostra animosidade perante Samson. Segundo o manual,
Kikira originalmente era uma garota humana que foi transformada em dragão
devido a sua vaidade e egoísmo.
→ Gamm,
o Golem: Um golem de rocha com um rosto surpreendentemente expressivo, que
ataca com socos de seus longos braços. É o mais lento dos personagens e também
possui o menor salto, entretanto é de longe o mais resistente (recebe menos
dano e tem uma barra de energia bem maior), além de ser o único personagem
capaz de atacar nas quatro direções (N, S, L, O). Gamm também é o único capaz
de caminhar sobre espinhos e pregos sem sofrer dano. Segundo o manual. Gamm
originalmente era um ladrão e transformou-se na criatura de pedra após beber
uma poção roubada. Agora Gamm tenta se redimir de sua vida de crimes e fazer as
coisas de forma diferente.
→ K.O, o rato: Um camundongo minúsculo, a ponto de poder passar em locais e túneis que os outros heróis não podem. K.O é bem rápido e tem o maior salto entre todos, mas é também o mais frágil e com a menor barra de energia. O ataque de K.O é bem interessante: ele coloca bombas redondas, até três ao mesmo tempo, as quais explodem pouco depois. As bombas causam muito dano, e podem ser usadas para fazer armadilhas para os inimigos, mas são também o ataque mais difícil de se manejar adequadamente. K.O também pode escalar muros e tetos, como Samson, e por ser muito leve, K.O também consegue caminhar por cima da água, se vier correndo em boa velocidade.Segundo o manual, K.O era o mago de quem Gamm roubou a poção petrificadora, e para escapar do ladrão, ele próprio tomou uma poção mágica, transformando-se na sua atual forma roedora.
Uma vez reunidos essa trupe tão heterogênea deverá
passar por várias fases no melhor estilo “plataforma”, com muitos inimigos,
fossos, lava e espinhos, e pegando itens deixados aleatoriamente para trás por
inimigos derrotados até chegar ao lorde das trevas para a tradicional batalha
final.
Logicamente, como todo lorde das trevas que se
preze, Ta-Keen tem seu grupo de seguidores para servir como chefes de fase.
Uma das melhores sacadas do jogo é ser possível trocar de personagem a qualquer momento, basta apertar o START e selecionar um dos quatro heróis, e isso pode ser vezes quantas vezes quiser. Na verdade, é quase obrigatório você trocar os personagens mais de uma vez durante as fases, porque haverá momentos que apenas a habilidade de um deles será útil.
Um último aspecto a ser ressaltado é que o jogo
não é totalmente linear. Dependendo das ações do jogador, ou de algo que ocorre
no jogo, os heróis podem seguir caminhos levemente diferentes.
Ótimos. Os sprites dos personagens são bem feitos, com
alguns detalhes bem legais, como as expressões faciais de Gamm. Os inimigos são
bem desenhados, em especial os chefes de fase, bem maiores que os heróis e com
um tom mais sombrio.
Os cenários são muito bonitos, com muitos detalhes. O mapa
do mundo também é bem feito e esteticamente agradável.
Música e Efeitos Sonoros
As músicas são boas, apesar de poucas. Cada herói tem sua
música-tema, que toca quando ele está em jogo. Alguns outros momentos do jogo
possuem músicas próprias, com a mesma qualidade.
Os efeitos sonoros tem a simplicidade típica do NES, mas
encaixam bem no jogo e não cansam os ouvidos nem se tornam enjoativos com o
tempo.
A Jogabilidade é ótima. Os controles respondem bem, os saltos
tem precisão e a detecção de acertos é bem calibrada. Não dá para culpar os
controles por eventuais mortes, ao contrário, por exemplo, do primeiro
“Castlevania”, que apesar de ser um ótimo jogo tinha controles e jogabilidade
bem travados.
Dificuldade
O
jogo tem um bom desafio, mas tem muita coisa mais difícil no NES do que “Little Samson”. Só para ficar em alguns títulos mais óbvios pode-se citar “Ninja
Gaiden”, os primeiros “Megaman”, os dois primeiros “Castlevania”...
Voltemos a "Little Samson", senão a lista nunca termina... Os chefes vão ficando mais difíceis no decorrer do jogo, sendo os últimos um tanto complicados.
Voltemos a "Little Samson", senão a lista nunca termina... Os chefes vão ficando mais difíceis no decorrer do jogo, sendo os últimos um tanto complicados.
Para
auxiliar no decorrer do jogo, alguns itens podem ser pegos, após serem deixados
para trás por inimigos derrotados:
- Miniatura de Samson: vida extra;
- Poção: cada herói pode carregar uma e ao ser usada, recupera toda a energia do personagem;
- Coração Grande: recupera 4 barras de energia;
- Coração Pequeno: recupera 1 barra de energia;
- Bola de Cristal: Aumenta em duas barras a energia de um personagem, tornando-o mais resistente.
O
maior defeito do jogo se encontra aqui... a curva de dificuldade se torna muito
maior de repente. A diferença de dificuldade entre as primeiras fases do jogo e
as últimas é exagerada. A parte final do jogo, em si, acaba criando um
anticlímax e também recorre a um recurso típico dos 8 bits: enfrentar velhos chefes
de fase De NOVO. Tentou-se alongar o jogo e criar mais desafios, mas o efeito
acabou sendo negativo.
Comentário Final
Um
dos melhores jogos do NES e um jogo de ação/ plataforma com excelência no mesmo
nível de “Ducktales”, “Megaman 3” ou qualquer outro clássico, apenas não
reconhecido. O jogo tem dentro dele quase tudo que a época de 8 bits tinha de
melhor, e um de seus piores defeitos também. Altamente recomendado para quem gosta de jogos plataforma,
para quem gosta de jogos “old school”, ou para aqueles que apenas gostam de um bom jogo, independente do estilo
ou sistema.
NOTA: 9.5
Realmente esse jogo merecia bem mais reconhecimento.
ResponderExcluirRealmente esse jogo merecia bem mais reconhecimento.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirE como! Sou doido para ver esse jogo de volta no GOG ou Steam, mas acho que não vai rolar..
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